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Meu filho não come, o que fazer?

Meu filho não come, o que fazer?

meu filho nao come (570x428)Esta é uma queixa muito frequente no consultório de endocrinologia pediátrica e deve sempre ser muito bem avaliada, pois pode se tratar apenas de uma criança que, aos olhos dos pais, não come bem, porém come o suficiente para ter uma vida saudável, como também pode se tratar de uma doença.

Avaliação Inicial

Se você acha que seu filho não come adequadamente é fundamental agendar uma consulta com um profissional da saúde para uma avaliação. Inicialmente o profissional deve fazer um histórico detalhado da rotina alimentar do seu filho, do funcionamento do intestino. Deve também tirar medidas bem precisas do peso, da altura e do índice de massa corporal (IMC).
Com esse conjunto de dados e utilizando gráficos de crescimento, o profissional poderá definir se o peso de seu filho está ou não dentro do esperado para a idade e para a altura.

Pontos para prestar atenção

Se você acha que seu filho não come bem, porém ele está crescendo normalmente, provavelmente trata-se de um problema menos grave, porém se o crescimento está sendo prejudicado, então temos de pensar que pode ser uma doença.
A frequência e o aspecto das fezes de seu filho são muito importantes. Ficar mais de dois dias sem evacuar, apresentar fezes muito duras e grossas ou fezes líquidas pode sugerir doença, portanto fique de olho.

A maior pegadinha das crianças

Tome muito cuidado com filhos espertinhos que deixam de comer os alimentos saudáveis para ganhar guloseimas. É muito frequente pais trazerem seus filhos para consulta com a queixa de que não comem e quando fazemos o histórico alimentar observamos que as crianças comem sim, porém somente guloseimas como balas, doces, macarrão instantâneo, salsicha, chips etc.
Esse tipo de situação é fruto da somatória de pais mais ansiosos e com medo de que seus filhos passem fome e da falta de informação e orientação por parte dos profissionais da saúde. Quando a criança recusa a comida e os pais dão guloseimas, isso se torna um hábito saboroso para a criança e ela passar a manipular os pais, recusando os alimentos saudáveis para ganhar as guloseimas.

Como evitar essas alterações alimentares?

Na verdade a preocupação com a alimentação dos filhos deve ocorrer desde antes do nascimento. Durante a gestação as mães devem manter uma dieta equilibrada para que não faltem os nutrientes essenciais para seus filhos. Logo após o nascimento, o aleitamento materno deve ser livre (teoricamente sem horário preestabelecido), porém os pais devem entender que nem todo choro do bebê é fome, não sendo necessário colocá-lo para mamar de 15 em 15 min.
Com o decorrer da idade, uma rotina alimentar saudável já deve ir sendo estabelecida na vida do bebê desde a introdução do suco e das papinhas. Depois, quando a criança passar a fazer a dieta igual a dos adultos (o que deve ocorrer por volta de 1 ano de vida), essa rotina deve estar bem enraizada na família toda e esse é o grande segredo: PARA QUE AS CRIANÇAS COMAM BEM, ELAS DEVEM CRESCER DENTRO DE UMA FAMÍLIA QUE COMA BEM.
Vale lembrar que comer bem não é sinônimo de comer muito, e sim comer alimentos variados em horários bem estabelecidos, deixando as guloseimas como exceção nos finais de semana. Em matéria anterior demos um exemplo de dieta saudável que pode e deve ser seguida por todos da família.

Como corrigir alterações alimentares?

Uma vez estabelecido um padrão alimentar ruim, teremos muito trabalho para corrigi-lo, porém não é impossível. O primeiro passo é estabelecer uma rotina e uma alimentação saudáveis para toda a família, adultos e crianças. O segundo passo é estabelecer regras bem claras de que se a criança não quiser como o que é certo, também não vai comer guloseimas.
No começo pode ser difícil, mas se a família estiver unida, as mudanças fluem mais facilmente. O acompanhamento de um profissional da saúde experiente é fundamental em todo esse processo, pois temos de ter cuidado com radicalismos e dietas muito restritivas. Além disso, os resultados são a longo prazo e é preciso muita calma, disciplina e dedicação.

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Sobre Dr. Marcelo Amaral Ruiz

Endocrinologista Pediátrico. PhD em Saúde da criança e do Adolescente pela USP. CRM-SP: 113266 e Registro de Especialista no CRM-SP 238842. Atualmente trabalha em consultório próprio em São José dos Campos. Contato: (12) 3922-0331

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