Dr. Claudio da Silva Miragaia – Almanaque dos Pais https://www.almanaquedospais.com.br Do sonho de ser mãe aos 6 anos do seu filho Fri, 16 Jan 2015 11:26:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.2.2 https://www.almanaquedospais.com.br/wp-content/uploads/2016/09/cropped-logo-Almanaque-dos-pais-512x512-150x150.png Dr. Claudio da Silva Miragaia – Almanaque dos Pais https://www.almanaquedospais.com.br 32 32 Entendendo as cardiopatias congênitas | Parte 4 – Normofluxo Pulmonar https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-4-normofluxo-pulmonar/ https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-4-normofluxo-pulmonar/#respond Mon, 19 Jan 2015 10:00:12 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=9846 Entenda as principais cardiopatias de Normofluxo Pulmonar: Normofluxo Pulmonar, Estenose valvar aórtica, Coarctação da aorta e Prolapso da valva mitral.

The post Entendendo as cardiopatias congênitas | Parte 4 – Normofluxo Pulmonar appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
Cardiopatias de Normofluxo Pulmonar

As cardiopatias de normofluxo pulmonar são decorrentes de alterações anatômicas em que não há aumento ou diminuição da irrigação dos pulmões. Portanto nota-se que essas cardiopatias não apresenta uma comunicação entre o lado esquerdo e direito do coração, situação que era essencial nas cardiopatias de hiper e hipofluxo.

Para entendermos as cardiopatias de normofluxo pulmonar vamos relembrar o funcionamento do coração normal. O coração é formado por quatro câmaras (2 átrios e 2 ventrículos) que funcionam como se fossem dois corações independentes, sendo um (do lado direito) responsável por receber sangue venoso (rico em gás carbônico) do corpo e enviá-lo aos pulmões, e outro (do lado esquerdo), recebe o sangue oxigenado (arterial) dos pulmões e o distribui para todo organismo. Esses dois corações são separados por uma parede íntegra, o septo cardíaco, que se chama septo interatrial ao nível dos átrios e septo interventricular ao nível dos ventrículos.

As cardiopatias de normofluxo pulmonar são, geralmente, doenças valvares, ou seja, elas afetam o funcionamento normal das valvas do coração. As valvas são estruturas responsáveis pelo direcionamento do sangue no interior do coração.

Entre os átrios e os ventrículos temos as valvas átrio-ventriculares (valva tricúspide entre átrio direito e ventrículo direito; e valva mitral entre átrio esquerdo e ventrículo esquerdo), elas se abrem durante a diástole (no momento do relaxamento do ventrículo), permitindo a passagem do sangue aos ventrículos, e se fecham durante a sístole (momento da contração ventricular) impedindo que esse sangue retorne aos átrios.

Na saída dos ventrículos temos as valvas ventrículos-arteriais (valva aórtica à esquerda e valva pulmonar à direita), que se abrem durante a sístole, permitindo que o sangue chegue às artérias sendo assim direcionado ao seu destino, e se fecham durante a diástole, impedindo o retorno desse sangue ao coração.

Nas cardiopatias de normofluxo há uma malformação nessas valvas que podem resultar tanto em uma dificuldade de abertura (estenose) como de fechamento (insuficiência). Há uma grande variedade dessas cardiopatias, portanto nos ateremos apenas às mais frequentes e de maior importância clinica.

1 – Estenose valvar pulmonar.

É a cardiopatia de normofluxo pulmonar mais frequente na população geral. Trata-se da dificuldade de abertura da valva pulmonar. É comum associar essa cardiopatia com uma doença de hipofluxo, mas na estenose pulmonar não há um desvio do sangue ao lado esquerdo, portanto todo sangue será direcionado aos pulmões. Os sintomas dependerão da gravidade da estenose. As estenoses levem podem permanecer assintomáticas durante toda vida e nunca precisarem de intervenção. Já as estenoses mais severas geralmente se iniciam assintomáticas, mas caso não sejam tratadas, podem levar a falência do ventrículo direito. Nas críticas o ventrículo já não consegue manter o fluxo pulmonar e o recém-nascido já apresenta sintomas de gravidade, necessitando de intervenção já no período neonatal.

O tratamento da doença se baseia na correção do defeito anatômico, que geralmente, pode ser feito via cateterismo cardíaco ou por cirurgia aberta.

normofluxo pulmonar 01

2 – Estenose valvar aórtica.

 

É a principal causa de morte súbita em crianças com cardiopatias congênitas. O ventrículo esquerdo é responsável por bombear o sangue a todo organismo. Durante a atividade física ou em situações de estresse temos uma necessidade maior de oxigênio em nossas células. Esse suplemento maior de oxigênio é conseguido à custa de um aumento do trabalho cardíaco, principalmente do lado esquerdo do coração. Caso haja uma obstrução à saída desse sangue haverá um sofrimento do ventrículo esquerdo que pode desencadear desde arritmias fatais, até a incapacidade do ventrículo de supri as necessidades do organismo levando a um baixo fluxo sanguíneo cerebral com consequentes desmaios e, em casos extremos, morte súbita. Essa situação de morte súbita geralmente acontece nas estenoses aórticas graves, no entanto, por se tratar de uma cardiopatia evolutiva, ou seja, que pode apresentar piora durante a sua evolução, os familiares devem ser orientados desde o início sobre a importância do seguimento rotineiro, principalmente pelo fato dessa cardiopatia ser na sua grande maioria assintomática, mesmo quando o grau de obstrução é importante.

O tratamento é a correção do defeito, que pode ser feito tanto cirurgicamente como, em casos selecionados, via cateterismo.

Estenose valvar aórtica

3 – Coarctação da aorta.

Trata-se de um estreitamento da artéria aorta. É a principal causa de hipertensão arterial na criança. Geralmente é assintomática e quando leve necessita somente de acompanhamento, sem indicação de intervenção. No outro extremo há as coarctações graves, que necessitam de intervenção nos primeiros dias de vida. Entre essas duas situações há as coarctações que evoluem com repercussão ao funcionamento do coração e com hipertensão arterial, quando é indicada a correção do estreitamento via cateterismo cardíaco ou por cirurgia.

Coarctação da aorta

4 – Prolapso da valva mitral.

É muito frequente, principalmente na sua forma leve quando não há o comprometimento da função da valva mitral. No prolapso um dos folhetos da valva mitral “invade” o átrio esquerdo, durante o seu fechamento (sístole). Na maior parte das vezes esse prolapso é leve e não prejudica o funcionamento da valva, no entanto, quando o prolapso é muito grande a função da valva fica comprometida e ela se torna insuficiente, permitindo o refluxo de sangue ao átrio esquerdo. Nos casos graves e sintomáticos o tratamento cirúrgico é indicado.

Alguns pacientes podem apresentar palpitações, mesmo nos prolapsos leves, que é uma situação benigna, mas que pode incomodar e preocupar o paciente. Nesses casos o tratamento medicamentoso costuma ser eficaz.

Prolapso da valva mitral

Há varias outras cardiopatias de normofluxo pulmonar, que não descrevemos nesse artigo. Aqui estão listadas as mais frequentes e de maior implicação clinica. Devemos ressaltar a importância do diagnóstico precoce e do seguimento adequado de qualquer cardiopatia, para que a evolução e o desenvolvimento da criança cardiopata possa se dar da melhor forma, possibilitando a esse paciente uma vida plena e saudável.

The post Entendendo as cardiopatias congênitas | Parte 4 – Normofluxo Pulmonar appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-4-normofluxo-pulmonar/feed/ 0
Entendendo as cardiopatias congênitas | Parte 3 – Hipofluxo Pulmonar https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-3-hipofluxo-pulmonar/ https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-3-hipofluxo-pulmonar/#respond Mon, 22 Dec 2014 10:00:20 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=9688 Conheça as cardiopatias congênitas de hipofluxo pulmonar mais frequentes em bebês e crianças com o Dr. Claudio Miragaia.

The post Entendendo as cardiopatias congênitas | Parte 3 – Hipofluxo Pulmonar appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
Cardiopatias de hipofluxo pulmonar

As cardiopatias de hipofluxo pulmonar são aquelas onde há uma diminuição do fluxo sanguíneo pulmonar. Trata-se de uma grande variedade de cardiopatias, onde alterações na anatomia do coração fazem com que o sangue se desvie do lado direito (relacionado aos pulmões) ao lado esquerdo (relacionado ao restante do organismo) do coração. São cardiopatias complexas onde a principal complicação é a diminuição do oxigênio circulante, a chamada hipoxemia, que leva ao sinal característico dessas doenças que é a cianose – coloração arroxeada da pele decorrente da baixa saturação de oxigênio no sangue.

Para entendermos as cardiopatias de hipofluxo pulmonar vamos relembrar o funcionamento do coração normal. O coração é formado por quatro câmaras (2 átrios e 2 ventrículos) que funcionam como se fossem dois corações independentes, sendo um (do lado direito) responsável por receber sangue venoso (rico em gás carbônico) do corpo e enviá-lo aos pulmões, e outro (do lado esquerdo), recebe o sangue oxigenado (arterial) dos pulmões e o distribui para todo organismo. Esses dois corações são separados por uma parede íntegra, o septo cardíaco, que se chama septo interatrial ao nível dos átrios e septo interventricular ao nível dos ventrículos.

coracao-06

Para a existência do hipofluxo pulmonar devemos ter condições que dificultem o sangue de se dirigir aos pulmões e, ao mesmo tempo, permitam que ele se desvie do lado direito ao lado esquerdo do coração. Notem que para a existência do hipofluxo não basta somente existir a dificuldade de o sangue chegar aos pulmões, é preciso também que esse sangue seja direcionado ao lado esquerdo, fazendo com que o sangue bombeado ao organismo seja uma mistura entre o sangue arterial e o sangue venoso desviado. Para isso deve haver uma ligação entre o lado direito e o lado esquerdo do coração, que pode ser a nível atrial (comunicação interatrial – CIA); ventricular (comunicação interventricular – CIV) ou arterial (persistência do canal arterial – PCA).

Uma variedade grande de alterações anatômicas proporcionam essas condições, por isso, nesse artigo, vamos nos limitar a cardiopatia de hipofluxo mais frequente que é a Tetralogia de Fallot.

Na Tetralogia de Fallot há uma obstrução a saída do sangue venoso do ventrículo direito devido a um estreitamento da sua via de saída, desse modo o sangue é direcionado, através de uma comunicação interventricular, para aorta, misturando-se assim ao sangue arterial. Essa mistura é pobre em oxigênio, e o sangue pobre em oxigênio ganha uma coloração arroxeada que se reflete na pele – a cianose.

Imagens: Reprodução www.brunorocha.com.br
Imagem: Reprodução www.brunorocha.com.br

É importante notar que a cianose é resultado de uma alteração anatômica que proporciona a diminuição na saturação sanguínea de oxigênio. Assim a criança com hipofluxo pulmonar é cianótica em todas as situações, seja durante o choro ou mesmo em repouso. Isso é muito importante saber para tranquilizar as mães cujos filhos ficam roxinhos durante a perda de fôlego, birra, frio ou devido a doenças pulmonares.

Portanto os sinais e sintomas das cardiopatias de hipofluxo pulmonar podem ser listados:

  • Cianose – em graus variados dependendo do grau de obstrução à saída do sangue do ventrículo direito e o tamanho da comunicação entre o lado direito e esquerdo do coração.
  • Sopro – que é o ruído que auscultamos devido à passagem do sangue pelos defeitos existentes nessa cardiopatia.
  • Cansaço – devido à baixa concentração de oxigênio circulante – difícil de perceber nas crianças memores, pois não é uma respiração cansada, como nas doenças de hiperfluxo pulmonar, e sim uma limitação as atividades cotidianas.

 

As doenças de hipofluxo pulmonar não costumam prejudicar o crescimento da criança, e o batimento cardíaco geralmente é normal, contrastando com o batimento dinâmico das cardiopatias de hiperfluxo.

O tratamento é a correção cirúrgica dos defeitos. Mesmo nas cardiopatias mais complexas há tratamentos que podem aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida da criança. O momento da cirurgia depende das condições que a criança se encontra, podendo, em alguns casos, ser protelado até que o bebê atinja um peso maior. No entanto as crianças com instabilidade clínica ou com cardiopatias mais complexas devem receber tratamento já no período neonatal, às vezes nas primeiras horas de vida, podendo, nesses casos, ser indicada uma cirurgia paliativa (parcial), na esperança de garantir condições para que a criança se desenvolva e no futuro seja submetida a uma correção definitiva.

É imprescindível o diagnóstico precoce dessas cardiopatias, por esse motivo, durante o pré-natal, a anatomia do coração deve ser avaliada com muito critério, indicando o ecocardiograma fetal em casos de dúvidas, possibilitando o planejamento do tratamento desde a vida intrauterina e aumentando a chance de sobrevida para esses bebês.

The post Entendendo as cardiopatias congênitas | Parte 3 – Hipofluxo Pulmonar appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-3-hipofluxo-pulmonar/feed/ 0
Entendendo as Cardiopatias Congênitas | Parte 2 – Hiperfluxo Pulmonar https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-as-cardiopatias-congenitas-parte-2-hiperfluxo-pulmonar/ https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-as-cardiopatias-congenitas-parte-2-hiperfluxo-pulmonar/#respond Mon, 08 Dec 2014 10:00:07 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=9574 Cardiopatias Congênitas: Entenda as cardiopatias de hiperfluxo pulmonar, sintomas, causas e tratamentos.

The post Entendendo as Cardiopatias Congênitas | Parte 2 – Hiperfluxo Pulmonar appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
No artigo anterior tivemos uma introdução ao funcionamento normal do coração. Aprendemos que ele é formado por quatro câmaras (2 átrios e 2 ventrículos) que funcionam como se fossem dois corações independentes, um ( do lado direito) responsável por receber sangue venoso (rico em gás carbônico) do corpo e envia-lo aos pulmões, e outro (do lado esquerdo), que recebe sangue oxigenado (arterial) dos pulmões e distribui para todo organismo. Esses “dois corações” são separados por uma parede íntegra chamada de septo cardíaco (septo interatrial ao nível dos átrios e septo interventricular ao nível dos ventrículos).

As cardiopatias congênitas são extremamente variadas, mas podem ser mais bem compreendidas se as dividirmos em grupos, de acordo com a sua relação com os pulmões. Desse modo temos as cardiopatias de hiperfluxo pulmonar; hipofluxo pulmonar e normofluxo pulmonar. O artigo de hoje se concentrará nas cardiopatias de hiperfluxo pulmonar.

 Cardiopatias de hiperfluxo pulmonar.

São defeitos cardíacos onde ocorre um aumento do fluxo de sangue para os pulmões, devido a condições que permitam uma “fuga” do sangue do lado esquerdo para o lado direito do coração. São as cardiopatias congênitas mais comuns.

As principais cardiopatias de hiperfluxo pulmonar são os defeitos no septo cardíaco, conhecidas pelas siglas CIA e CIV.

CIV significa Comunicação Interventricular, ou seja, é um defeito no septo interventricular.

coracao-02

CIA significa Comunicação Interatrial, ou seja, é um defeito no septo interatrial.

coracao-03

Outra cardiopatia causadora de hiperfluxo pulmonar é a Persistência do Canal Arterial (PCA). O Canal arterial é uma estrutura vascular presente na vida fetal, responsável por ligar à artéria pulmonar (que sai do ventrículo direito) à aorta (que sai do ventrículo esquerdo). Esse canal costuma desaparecer nos primeiros dias de vida e sua permanência constitui a doença.

coracao PCA

Outra cardiopatia muito importante, principalmente devido sua prevalência nas crianças portadoras de síndrome de Down, é o Defeito do Septo Atrioventricular. O septo atrioventricular separa os átrios dos ventrículos, e é formado pelas valvas mitral (esquerda) e tricúspide (direita). Nessa doença as valvas, que normalmente são individualizadas, apresentam um anel único que faz com que elas se fixem no mesmo plano, levando ao aparecimento de uma CIA e/ou uma CIV adjacente.

coracao-Defeito do Septo AtrioventricularComo podemos perceber há uma grande variedade de cardiopatias de hiperfluxo pulmonar (aqui citei as mais frequentes), que apesar de suas particularidades apresentam características em comuns.

 Entendendo o Hiperfluxo Pulmonar

A relação entre o coração e os pulmões é perfeitamente sincronizada. O coração distribui o sangue arterial ao organismo (coração esquerdo), recebe de volta o sangue venoso e o envia aos pulmões (coração direito), onde ele é oxigenado e reenviado ao coração, fechando assim o ciclo. As perdas nesse processo são insignificantes, o que quer dizer que tanto o lado esquerdo quanto o lado direito do coração trabalham com o mesmo volume sanguíneo, e, consequentemente, os pulmões e o restante do organismo recebem esse mesmo volume.

Nas cardiopatias de hiperfluxo pulmonar há um desbalanceamento nessa relação, o que permite que o sangue do lado esquerdo chegue ao lado direito, causando assim, um maior aporte sanguíneo aos pulmões. Essa tendência do sangue se desviar para o lado direito é explicada pela menor pressão dessas câmaras.

A passagem do sangue pelo defeito, que permite esse fluxo anormal, é a responsável pelo surgimento do sopro, que é o primeiro sinal para suspeita do diagnóstico.

O aumento do fluxo pulmonar leva a uma diminuição da quantidade de sangue que é direcionada ao restante do organismo, fazendo que o coração compense essa diminuição com o aumento da frequência de batimento cardíaco (taquicardia).

Caso o aumento da frequência cardíaca não consiga suprir as necessidades corporais, a criança pode evoluir com uma dificuldade de ganho de peso e altura.

De outro lado o aumento da quantidade de sangue aos pulmões leva a uma congestão pulmonar. Essa congestão dificulta as trocas gasosas, o que é compensado pelo aumento da frequência respiratória (taquipnéia), ou seja, a criança respira mais “cansadinha”. Essa congestão também favorece ao aumento da secreção pulmonar e com isso é frequente, nas cardiopatias de hiperfluxo pulmonar, as infecções respiratórias de repetição, principalmente as pneumonias.

Com o acúmulo de sangue nos pulmões há uma “reação em cadeia”, acumulando sangue no ventrículo direito, átrio direito e por fim “represando” o sangue no restante do organismo. Isso é percebido, principalmente, pelo aumento e congestão do fígado, que é a hepatomegalia.

Percebe-se que toda essa situação leva ao coração a aumentar sua carga de trabalho, obrigando-o a buscar mecanismos compensatórios para manter sua função. Um desses mecanismos é o aumento do tamanho de suas câmaras, a cardiomegalia.

Sem tratamento, essa condição de hiperfluxo lesa, agride, de tal maneira os vasos sanguíneos dos pulmões que eles se modificam para suportar esse volume sanguíneo maior, ocasionando um aumento da pressão pulmonar. A hipertensão pulmonar é consequência grave das cardiopatias de hiperfluxo pulmonar e é uma condição que deve ser avaliada em todas as consultas a fim de impedir sua instalação, o que muitas vezes pode ser irreversível.

Entendendo o funcionamento do hiperfluxo pulmonar podemos listar os principais sinais e sintomas dessas cardiopatias:

  • Sopro cardíaco;
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca);
  • Taquipnéia (aumento da frequência respiratória);
  • Baixo ganho de peso e altura;
  • Infecções respiratórias de repetição;
  • Cardiomegalia (aumento do tamanho do coração);
  • Hepatomegalia (aumento do tamanho do fígado);
  • Hipertensão pulmonar.

 Tratamento

O tratamento definitivo das cardiopatias de hiperfluxo pulmonar é a correção do defeito que ocasiona esse hiperfluxo. Essa correção pode ser feita via cirurgia ou, em casos selecionados, através de cateterismo. Algumas cardiopatias de hiperfluxo podem se resolver espontaneamente não sendo necessário o tratamento cirúrgico, outras evoluem sem sintomas ou mesmo sem repercussões podendo ser protelado o tratamento definitivo enquanto não houver sinais de comprometimento cardíaco ou risco de hipertensão pulmonar. As cardiopatias sintomáticas geralmente são estabilizadas clinicamente, através de medicações, até o momento ideal para cirurgia.

Por esses motivos a avaliação de cada criança deve ser individualizada, pois cada uma se comporta de maneira diferente, mesmo aquelas com cardiopatia semelhantes. O seguimento rotineiro com o cardiologista pediátrico é essencial, mesmo para os portadores de defeitos pequenos e assintomáticos, pois ele é o profissional capacitado para notar pequenas alterações hemodinâmicas que muitas vezes passam despercebidos pelos familiares ou pelo pediatra.

Imagens: Reprodução www.brunorocha.com.br

The post Entendendo as Cardiopatias Congênitas | Parte 2 – Hiperfluxo Pulmonar appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-as-cardiopatias-congenitas-parte-2-hiperfluxo-pulmonar/feed/ 0
Entendendo as Cardiopatias Congênitas | Parte 1 https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-1/ https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-1/#respond Mon, 24 Nov 2014 10:00:05 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=9405 A cardiopatia congênita é aquela em que o bebê nasce com ela, ou seja, é um defeito na formação do coração, que leva a uma alteração no funcionamento normal do órgão

The post Entendendo as Cardiopatias Congênitas | Parte 1 appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
Quando se fala em cardiopatia no bebê e na criança sempre nos vem à ideia de sopro cardíaco. Há enraizado em nosso pensamento que o sopro é sinônimo de cardiopatia. Também é comum associarmos, as doenças do coração, à baixa estatura, à dificuldade de ganhar peso e à cianose (aspecto arroxeado da pele).

É importante perceber que tudo isso são sintomas e sinais que, isoladamente, não configuram a doença. Para confirmação diagnóstica é necessário à presença de uma alteração anatômica que possa justificar esses sinais e sintomas.

A cardiopatia congênita é aquela em que o bebê nasce com ela, ou seja, é um defeito na formação do coração, que leva a uma alteração no funcionamento normal do órgão. Muitas delas são assintomáticas e podem ser diagnosticadas na criança mais velha ou até nos adultos. Outras são evidentes já no período gestação e percebido durante a ultrassonografia ou pelo ecocardiograma fetal.

Há uma grande variedade de cardiopatias congênitas e cada uma tem um comportamento próprio, assim como cada criança reage, de forma diferente, à determinada condição. Desse modo a avaliação clínica deve ser sempre individualizada.

A maioria das cardiopatias congênitas não é limitante e não causam complicações imediatas ao bebê. Mesmo as doenças mais graves, geralmente, permitem que essa criança tenha uma vida bem próxima do normal. Por isso devemos ter o cuidado de não estigmatizar o bebê cardiopata uma vez que, com o seguimento adequado, ele terá uma vida produtiva como qualquer outra criança.

Para entendermos as cardiopatias congênitas devemos, primeiramente, entender o funcionamento do coração normal, que é o motivo do artigo de hoje.

O Coração Normal

O coração é um órgão formado por musculatura estriada, semelhante a dos músculos esqueléticos. No entanto, seu funcionamento é automático, ou seja, independe de nossa vontade.

Localiza-se no centro da região torácica com a ponta voltada, na maior parte das vezes, para esquerda. Está intimamente relacionado com os pulmões e possui o tamanho aproximado de uma mão fechada.

É dividido em dois lados que se comportam como se fossem dois corações independentes, apesar de funcionarem em perfeita sincronia. Vamos chama-los de “coração direito” e “coração esquerdo”. Esses “dois corações” são separados por uma parede íntegra que se chama septo cardíaco. Cada coração é formado por um átrio, que funciona como uma câmara de passagem, e um ventrículo, que é a parte mais musculosa do coração e a que efetivamente bombeia o sangue. A parte do septo cardíaco que divide os átrios é chamada septo interatrial, e a que divide os ventrículos de septo interventricular. Separando os átrios dos ventrículos temos, do lado direito, a valva tricúspide e, do lado esquerdo, a valva mitral.

O coração é responsável pela circulação do sangue arterial (rico em oxigênio) e do sangue venoso (rico em gás carbônico), para isso e trabalha em harmonia com os pulmões. Isso é muito importante, pois as cardiopatias congênitas têm suas complicações e sintomatologias baseadas, principalmente, no desequilíbrio dessa relação.

coracao

E como funciona o coração?

O coração recebe dos pulmões o sangue rico em oxigênio. Esse sangue chega, através das veias pulmonares, no átrio esquerdo (AE), que como já vimos é uma câmara de passagem, do átrio ele passa pela valva mitral ao ventrículo esquerdo (VE), de onde ele é bombeado, através da Artéria Aorta, para todo organismo. O fluxo sanguíneo é direcionado pelas válvulas que se abrem para a passagem do sangue e se fecham logo após, impedindo o retorno do sangue para a câmara de onde saiu. Entre o ventrículo esquerdo e a artéria aorta temos a Valva Aórtica.

Ao distribuir o oxigênio, a todas as células do organismo, o sangue fica rico em gás carbônico e retorna ao coração desembocando no átrio direito pelas Veias Cavas. Uma vez no átrio o sangue passa, pela valva tricúspide, ao ventrículo direito e daí é direcionado, através Valva Pulmonar, para a Artéria Pulmonar chegando aos pulmões onde receberá, novamente, oxigênio ficando pronto para retornar ao átrio esquerdo e, assim, fechando o ciclo.

Percebemos que o “coração direito” trabalha exclusivamente com sangue venoso (rico em gás carbônico) e o coração “esquerdo” com sangue arterial (rio em oxigênio). O perfeito equilíbrio no funcionamento desses “dois corações” promove o adequado fluxo de sangue ao organismo e aos pulmões.

Nas cardiopatias congênitas ocorrem defeitos na formação do coração que comprometem esse equilíbrio, levando a um aumento, ou a uma diminuição do fluxo sanguíneo pulmonar. Deste modo, de maneira didática, podemos dividir as cardiopatias congênitas em três grandes grupos:

  • as cardiopatias de hiperfluxo pulmonar;
  • as cardiopatias de hipofluxo pulmonar;
  • as cardiopatias de normofluxo pulmonar.

 

Apesar de dentro de esses grupos haverem inúmeras doenças distintas o agrupamento nos dá a possibilidade de entender aspectos funcionais das cardiopatias mais frequentes, sem as necessidades de individualiza-las, pois se apresentam semelhante no seu funcionamento. Portanto, nos próximos artigos detalharemos esses grupos e listaremos as doenças mais frequentes em cada um deles.

The post Entendendo as Cardiopatias Congênitas | Parte 1 appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/entendendo-cardiopatias-congenitas-parte-1/feed/ 0
A Dor Torácica, também chamada de Dor no Peito https://www.almanaquedospais.com.br/dor-toracica-tambem-chamada-de-dor-peito/ https://www.almanaquedospais.com.br/dor-toracica-tambem-chamada-de-dor-peito/#comments Mon, 10 Nov 2014 10:00:21 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=9078 A dor torácica, mais conhecida como dor no peito da criança, pode ter muitas razões. Conheça os sintomas e como é realizado o diagnóstico.

The post A Dor Torácica, também chamada de Dor no Peito appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
Poucas queixas preocupam tanto os pais quanto a “dor no peito”. Trata-se de uma condição que carrega um estigma de gravidade, principalmente por ser um sintoma intimamente relacionado ao infarto do miocárdio. Felizmente, na faixa etária pediátrica, outras causas são mais frequentes como responsáveis por essa dor.

Para entendermos a dor torácica devemos pensar nas duas situações básicas em que essa dor existe. A primeira é aquela de início súbito, causando um incomodo agudo que deve ser imediatamente avaliado e tratado. A segunda situação é uma dor crônica onde a criança queixa-se de dor constante e de forma repetida durante certo período de tempo, esse tipo de dor crônica é a mais frequente nas crianças.

Foto: Reprodução www.eveningpediatrics.com
Foto: Reprodução www.eveningpediatrics.com

A dor torácica crônica e recorrente

Trata-se de uma queixa frequente no consultório do cardiologista pediátrico. Geralmente esses pacientes são avaliados na ausência de dor e a preocupação é definir se a causa é de origem cardíaca e quais são as implicações dessa dor para a criança.

Para a definição do tipo da dor, mais importante do que exames subsidiários, é a necessário um completo entendimento das características dessa dor.

Como ela se inicia? Está relacionada à alimentação? À atividade física? Às situações de estresse ou ansiedade?

Qual sua característica? Parece uma pontada: um aperto? Uma torção? Uma queimação?

Qual sua localização? Atrás do esterno (o osso do meio do peito)? Do lado direito ou do lado esquerdo? Fica mais inferior, próximo ao abdome, ou em uma posição mais superior?

Como ela se comporta? Piora quando inspira, quando se deita ou se move? Fica em só lugar ou se irradia para outras regiões? Limita suas atividades?

Quanto tempo ela dura? O que se faz para ela melhorar? Melhora espontaneamente?

Há sintomas associados? Náuseas? Sudorese? Palidez? Falta de ar?

Durante a consulta é muito importante que a criança se expresse e tente explicar seus sintomas de forma livre, pois apesar de o interrogatório ser dirigido, devemos tomar cuidado para não induzir respostas que possam levar a erros diagnósticos.

No exame físico o cardiologista faz uma avaliação da criança como um todo e do coração em particular. Analisa a presença de sopros; arritmias; atritos e estalidos cardíacos; variações de pulsos; sinais de insuficiência cardíaca; presença de anemia; ritmo e característica da respiração.

As causas cardíacas de dor torácica crônica são raras, sendo a maioria das queixas de causa idiopática (sem origem definida) e benigna.

As doenças cardíacas que costumam evoluir com dor torácica são as miocardiopatias hipertróficas severas e obstrutivas; as pericardites; doenças coronarianas; e alguns graus de prolapso da válvula mitral. É importante notar que as cardiopatias congênitas mais comuns não costumam evoluir com dor cardíaca, por isso os pais dessas crianças devem estar conscientes que, apesar da cardiopatia, a causa da dor torácica, provavelmente, não está relacionada com a doença do coração.

Outras causas frequentes de dores são alterações do hábito intestinal, principalmente a constipação; o refluxo gastro esofágico; a aerofagia (“engolir” ar durante a fala ou respiração); crises de dor das anemias hemolíticas (por exemplo, a anemia falciforme); a asma; a costocondrite (inflamação na cartilagem da costela); vícios posturais entre outras.

A dor torácica aguda

A dor torácica aguda é aquela de início súbito, que leva a criança ao pronto socorro para o alívio urgente dessa dor. É uma situação emergencial. Nessa situação o atendimento é feito pelo pediatra emergencista, que está capacitado para o diagnóstico e tratamento inicial do quadro.

O questionário dirigido esmiuçando o tipo e intensidade da dor, o fator desencadeante; as irradiações e os fatores de melhora e/ou piora deve ser realizado de maneira completa e sucinta.

Nessas ocasiões a criança, geralmente, está chorosa e angustiada e a inspeção é papel fundamental. Muitas vezes os sinais de gravidade são visíveis, como a turgência jugular; a palidez e sudorese fria; a cianose ou mesmo a posição onde a criança fica mais confortável, tudo são pistas que auxiliam no rápido diagnóstico.

A ausculta do coração e pulmões complementam as informações e possibilitam a intervenção para o alívio da dor.

As causas de dor torácica aguda na criança são, na maior parte dos casos, causas não cardíacas como a pneumonia, principalmente se houver derrame pleural; o pneumotórax espontâneo; a esofagite aguda e a ingestão de corpo estranho.

As dores cardíacas são menos frequentes e compreendem:

  • Causas Cardíacas: arritmias; anomalias coronarianas; obstrução a via de saída do ventrículo esquerdo;
  • Causas Sistêmicas: doenças reumáticas ou autoimunes que podem ocasionar pericardites e/ou derrames pericárdico; quadros hiperdinâmicos, como crises agudas de hipertiroidismo ou feocromocitona;
  • Traumas com lesão direta do músculo cardíaco ou levando a derrames pericárdicos;
  • Overdose: principalmente em adolescente com o abuso de drogas ilícitas (principalmente crack e cocaína) ou de medicações estimulantes (anfetaminas).

 

Feito o diagnóstico é definido a conduta e após a estabilização a criança é encaminhada ao especialista para seguimento e tratamento ambulatorial.

The post A Dor Torácica, também chamada de Dor no Peito appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/dor-toracica-tambem-chamada-de-dor-peito/feed/ 3
Avaliação para Atividade Física na Infância https://www.almanaquedospais.com.br/avaliacao-para-atividade-fisica-na-infancia/ https://www.almanaquedospais.com.br/avaliacao-para-atividade-fisica-na-infancia/#respond Mon, 27 Oct 2014 11:00:12 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=9031 A avaliação para atividade física na infância é de extrema importância para o bem-estar de seu filho. Para competições consulte também um cardiologista.

The post Avaliação para Atividade Física na Infância appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
Todos sabem da importância da prática rotineira de exercícios físicos. Trata-se de um hábito fundamental à vida saudável, pois auxilia no combate à obesidade, hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares, stress, além de promover a socialização, entre outros benefícios. Por esses motivos é cada vez maior o número de crianças praticando esportes, seja como forma de lazer e promoção a saúde, seja com a intenção de competições ou treinamento para alto rendimento. Hoje é comum vermos campeonatos de futebol, competição de natação e até corrida de rua entre crianças com idade pré-escolar, que muitas vezes iniciam essas atividades sem uma avaliação detalhada do seu estado de saúde.

criancas futebol02

Mas a criança precisa de uma avaliação para atividade física?

Com o maior acesso à informação tem sido frequente notícias de crianças atletas que apresentaram morte súbita durante, ou logo após, a prática de atividade física. Felizmente, estatisticamente, esses eventos são raros no universo de milhares de crianças que praticam alguma modalidade esportiva. Entretanto são mortes, que muitas vezes, poderiam ser evitadas com atitudes simples.

Diferente do adulto, a criança não tem como principais fatores de risco, para eventos cardiovasculares, o hábito de vida e as doenças adquiridas. Os riscos de eventos potencialmente graves em crianças são, principalmente, doenças congênitas e genéticas que devem ser descartadas antes do início de qualquer prática esportiva. Sem uma ordem de prevalência, as principais causas de morte súbita nas crianças esportistas são a cardiomiopatia hipertrófica, as arritmias, as anomalias coronarianas, as cardiopatias congênitas, as miocardites, a displasia arritmogênica e as complicações de doenças adquiridas como a Doença de Chagas e a Febre Reumática. Muitas dessas doenças podem evoluir assintomáticas, ou com sintomas muito inespecíficos que por estarem presente na criança há muito tempo não são valorizados, por esses motivos é essencial a avaliação cardiológica para toda criança que vai iniciar uma atividade física.

Como deve ser essa avaliação?

As crianças que praticam esportes por lazer, sem intenção de competição, necessitam de uma avaliação com o pediatra que durante a anamnese – entrevista do médico ao paciente a fim de buscar informações para diagnóstico de doenças – questionará sobre o comportamento durante as brincadeiras; a história familiar, principalmente sobre a ocorrência de morte súbita ou mesmo desmaios durante a atividade física em parentes próximos; e os antecedentes patológicos e epidemiológicos que possam de alguma forma comprometer a função cardíaca.

A percepção dos sinais e sintomas na criança é muito difícil, pois enfrentamos alguns desafios para definir o que deve, realmente, ser valorizado. Uma criança saudável pode apresentar mais cansaço que outras, por falta de condicionamento físico ou até por ser muito agitada e se esforçar além de seu limite, por outro lado uma criança doente, que aprende a lidar com suas limitações, sabe dosar seu esforço, e, aos olhos dos pais e professores, que estão acostumados com a criança, apresentar-se assintomática. A queixa da dor torácica também levanta muitas dúvidas e deve ser bem investigada durante a consulta, o esforço e o cansaço excessivo, os erros de respiração, o refluxo gastro esofágico, podem desencadear um quadro de dor que deve ser diferenciada da dor de origem cardíaca. Durante o lazer não há um controle da intensidade do exercício, é a própria criança que define seu limiar de esforço durante as brincadeiras, por isso é muito importante a sensibilidade e a experiência do pediatra para definir a intensidade de atividade física que essa criança está submetida.

Com a anamnese e o exame físico o pediatra é o profissional capacitado para liberar as crianças para atividades recreativas.

Para as atividades competitivas a avaliação com o cardiologista é necessária. O treinamento para o alto desempenho exige que o corpo, como um todo, e o coração em particular, trabalhem no limite de suas capacidades e por isso deve ser realizada uma avaliação mais detalhada. Nesses casos, somados a anamnese e ao exame clínico, o eletrocardiograma torna-se instrumento essencial à avaliação da criança atleta, pois assim é possível detectar a maior parte das condições potencialmente danosas à função cardíaca.

Outro exame de grande valor na avaliação é o ecocardiograma, que consegue detectar condições anatômicas e de função cardíaca que possam passar despercebida durante o exame físico e no eletrocardiograma. O ecocardiograma serve também no diagnóstico diferencial entre a hipertrofia ventricular, achado comum no coração do atleta, e a doença miocárdica hipertrófica. Outras indicações para a realização do ecocardiograma incluem queixas específicas durante o interrogatório (dores, tonturas, desmaios, fadiga excessiva); alterações de exame físico (sopros, hipertensão); história familiar de doenças cardíacas ou morte súbita. As crianças com cardiopatas muitas vezes não apresentam contraindicações para prática de atividades físicas, nesses casos o seguimento com ecocardiograma é primordial.

O teste ergométrico e o holter 24 são exames com indicações mais limitadas na avaliação de rotina da criança, sendo solicitados em queixas específicas ou para avaliação e seguimento de cardiopatias já diagnosticadas.

A atividade física é um hábito essencial para uma infância saudável, o que certamente se refletirá na vida adulta, e deve ser estimulada constantemente. A avaliação de toda criança que inicia um esporte é ferramenta primordial para promoção de saúde e a certeza de que nossos pequenos atletas somente se beneficiarão dessa prática sem correr riscos desnecessários.

The post Avaliação para Atividade Física na Infância appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/avaliacao-para-atividade-fisica-na-infancia/feed/ 0
Bebê com perda de fôlego https://www.almanaquedospais.com.br/bebe-com-perda-de-folego/ https://www.almanaquedospais.com.br/bebe-com-perda-de-folego/#comments Mon, 13 Oct 2014 11:00:35 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8939 Perda de fôlego do lactente: O bebê ameaça a chorar, começa a “puxar o ar” e não solta, fica com os lábios roxos, que se espalha para o rosto e todo o corpo.

The post Bebê com perda de fôlego appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
A história é sempre muito semelhante. O bebê ameaça a chorar, começa a “puxar o ar” e não solta, depois fica com os lábios roxos, que se espalha para o rosto e por fim atinge todo o corpo. Algumas vezes solta o choro, em outras desfalece e fica “molinho” no colo. Admito, é uma situação que assusta a todos que estão em volta. Nessa hora os segundos parecem minutos e tendemos a nos desesperar sem saber o que fazer. Estamos falando da perda de fôlego do lactente.

perda de folego

Trata-se de uma situação muito frequente, é uma queixa comum em consultório, e sempre vem acompanhada por muitas dúvidas e preocupações, mas, é importante ressaltar, que na grande maioria dos casos é um evento benigno e de resolução espontânea.

A intenção desse artigo é tranquilizar os pais em relação à perda de fôlego benigna, que é a entidade mais frequente. No entanto toda criança que apresenta perda de fôlego frequente deve ser avaliada pelo pediatra, pois algumas cardiopatias, neuropatias ou mesmo afecções sistêmicas podem causar quadros semelhantes. O médico através da história clínica e do exame físico é capaz de definir cada caso.

A perda de fôlego benigna do lactente.

O corpo humano é extremamente eficiente em sua preservação. Possuímos mecanismo de defesa não só contra agressores externos, como também apresentamos compensações e adaptações a situações intrínsecas que possam nos prejudicar.

A respiração é uma atividade voluntária, ou seja, a inspiração e a expiração podem ser controladas por nossa vontade. Podemos variar a velocidade da respiração e até parar de respirar se assim desejarmos. No entanto, a respiração é um ato essencial à vida e por isso nosso organismo não permite que nos esqueçamos de respirar, para isso ele condiciona a respiração a um ato reflexo, que é imediatamente acionado quando necessário.

O lactente é um ser em formação e ainda imaturo e é frequente, que em situações de stress, na tentativa de iniciar o choro, ocorra um “esquecimento” de respirar. Assim o ar ambiente, de onde tiramos o oxigênio, não chega aos pulmões, onde seria trocado pelo gás carbônico, coletado pelo sangue das células do nosso organismo, desse modo, ocorre um aumento na concentração de gás carbônico na circulação sanguínea e o sangue, rico em gás carbônico, adquire uma coloração arroxeada, coloração essa que se reflete nas mucosas e na pele. Esse “arroxeamento” da pele e mucosas é o que chamamos de cianose.

A cianose é um sinal frequente nas cardiopatias e indica doenças graves, com alterações complexas na estrutura do coração. Por esse motivo é comum que qualquer episódio de cianose seja associado à doença cardíaca. Entretanto, nas cardiopatias cianóticas, a criança mantem a coloração arroxeada mesmo durante o repouso, não é o que acontece na criança que perde fôlego, nesses casos a criança é corada durante o repouso e só fica “roxinha” no momento da perda de fôlego, quando não há troca gasosa pulmonar.

Com a diminuição do oxigênio circulante o organismo lança mão do seu mecanismo que segurança, que é o ato reflexo da respiração, no entanto o bebê está voluntariamente prendendo o fôlego, assim, para que volte os movimentos respiratórios, o organismo leva a criança a um estado de sonolência onde ele não consegue inibir o ato reflexo da respiração. Por esse motivo que após a perda de fôlego o bebê fica “molinho”, como se tivesse desmaiado, e com a respiração mais rápida e profunda.

Fica fácil entender porque a perda de fôlego aflige tanto aos pais. É um evento que se apresenta de uma forma muito dramática assustando quem está ao lado, mas se trata de um evento benigno, que não acarreta nenhuma complicação imediata ou sequela tardia para criança, assim durante o episódio devemos manter a calma, pois se resolverá espontaneamente sem necessidade de intervenção. Muitas vezes valorizamos o evento em demasiado e a nossa aflição passa para criança que tende a repetir esse evento continuamente. Com o crescimento os episódios se tornarão mais espaçados e raramente se mantém após os quatro anos.

The post Bebê com perda de fôlego appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/bebe-com-perda-de-folego/feed/ 5
Ecocardiograma Fetal https://www.almanaquedospais.com.br/ecocardiograma-fetal/ https://www.almanaquedospais.com.br/ecocardiograma-fetal/#respond Mon, 29 Sep 2014 11:00:50 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8625 Conheça a importância do ecocardiograma fetal, quando deve ser realizado e qual o grupo de risco de cardiopatias o exame é indicado.

The post Ecocardiograma Fetal appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
Há não muito tempo era frequente o não acompanhamento pré-natal. Era comum a consulta de confirmação de gravidez ser a única vez que a gestante visitava o médico antes do parto. Essa situação hoje é impensável. Com a evolução da medicina e o maior acesso à informação vemos cada vez mais mulheres procurando orientações mesmo antes da concepção, e o seguimento mensal da gravidez já está bem fundamentado na população. Esses cuidados reduziram drasticamente os índices de mortalidade materno e infantil propiciando maior segurança tanto para as mulheres como para o bebê. O maior conhecimento dos fatores de risco e o incremento de métodos diagnósticos, principalmente da ultrassonografia, permitem prevenir, antever e tratar diversas afecções, que em um passado não muito distante, levavam a complicações variadas, muitas delas fatais. E é sobre um desses métodos diagnóstico que se baseia nosso artigo de hoje.

Foto: Lisa Setrini
Foto: Lisa Setrini

Ecocardiograma Fetal

As cardiopatias congênitas são doenças frequentes, acometendo oito a cada 1000 nascimentos, sendo que muitas são extremamente graves e exigem tratamento imediato e em centros especializados. Desse modo o diagnóstico dessas afecções na vida intrauterina é ferramenta importante para melhorar o prognóstico desses bebês, pois assim conseguimos programar o parto para um hospital onde tenha uma UTI neonatal habituada ao manejo dessas crianças além de estrutura para procedimentos cirúrgicos e hemodinâmicos nessa faixa etária, evitando assim a necessidade de transferência hospitalar, que é um fator de piora para o prognóstico.

Há também as cardiopatias que comprometem o bom desenvolvimento fetal colocando em risco a vida do feto, nessas o diagnóstico preciso auxilia na decisão terapêutica imediata. Hoje, muitos tratamentos podem ser realizados intra-útero, seja por abordagem direta do coração fetal ou através de medicações que, administrada a mãe chegam ao feto pela circulação placentária. Por esses motivos o ecocardiograma fetal é recurso indispensável para o bom acompanhamento pré-natal.

Quando fazer o ecocardiograma fetal?

Clique para ampliar
Clique para ampliar

Em alguns centros o ecocardiograma fetal é um exame de rotina solicitado pelo obstetra independente de fatores de risco maternos ou fetais. Apesar de considerarmos essa a conduta mais prudente, uma vez que há cardiopatias em fetos sem fatores de risco, a indicação do exame segue alguns critérios.

A melhor idade para a realização do exame é entre a 26° e 28° semana de gestação. Nessa fase o bebê já está bem formado e a janela ecocardiográfica é excelente. Nos períodos mais tardios o exame pode ser realizado, mas é prejudicado pela maior calcificação das estruturas ósseas do feto. Em situações potencialmente graves como arritmias ou defeitos estruturais que comprometem a viabilidade do feto o exame deve ser indicado mais precocemente, a partir da 12° semana já possível realizar o ecocardiograma fetal pela via transvaginal.

As indicações para realização do ecocardiograma fetal baseiam-se no risco de cardiopatia em certos grupos, a saber:

  • Gestante com mais de 35 anos – estaticamente essas mães têm maior probabilidade de malformações fetais e cardiopatia.
  • História familiar – Filhos de pais com cardiopatias congenitas têm 10% de chance de nascerem cardiopatas, no caso de irmãos 2%.
  • Uso de medicações pela mãe – há medicações que podem causar malformações cardíacas, nesse grupo destacam-se os anticonvulsivantes, o lítio e os anti-inflamatórios.
  • Malformações extra-cardíacas – caso o ultrassom morfológico mostre malformações de outros órgãos ou alteração de translucência nucal e artéria umbilical única, o ecocardiograma fetal é indicado.
  • Suspeita de cardiopatia – o ultrassonografista avalia o coração fetal em todos os exames durante o pré-natal. Caso haja dificuldade de definir a anatomia cardíaca ou for levantada a hipótese de cardiopatia o coração deve ser investigado pelo especialista.
  • Doenças maternas – doenças que acometem a mãe podem levar a cardiopatias. As mais comuns são a diabetes tipo I; a rubéola e o Lúpus.
  • Hidropsia fetal – é sinal de sofrimento fetal, e deve ser descartada causa cardíaca.
  • Arritmias fetais – podem ser bradicardias, quando o coração bate mais devagar, ou taquicardias, que é um aumento da frequência cardíaca. São doenças potencialmente graves e que possibilitam o tratamento intrauterino, portanto devem ser avaliadas independente da idade gestacional.

 

Concluindo, o ecocardiograma fetal é ferramenta aliada para melhorar a viabilidade do feto. O diagnóstico precoce das cardiopatias, possibilita a programação e a pronta ação, aumentando, significativamente, a chance desse bebê, portanto é um exame que precisa constar durante o seguimento neonatal.

The post Ecocardiograma Fetal appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/ecocardiograma-fetal/feed/ 0
Precisamos mudar nossos hábitos https://www.almanaquedospais.com.br/precisamos-mudar-nossos-habitos/ https://www.almanaquedospais.com.br/precisamos-mudar-nossos-habitos/#comments Mon, 15 Sep 2014 11:00:01 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8618 Precisamos mudar nossos hábitos para que não façamos parte da geração que poderá ser a primeira onde os filhos viverão menos que os pais.

The post Precisamos mudar nossos hábitos appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
O consultório do cardiologista pediátrico há alguns anos, era basicamente formado por crianças com doenças congênitas, sopro, arritmias, miocardiopatias. Tratava-se de um ambiente com pacientes na lactância e na idade pré-escolar. Atualmente temos presenciado uma mudança nesse padrão. Crianças mais velhas e adolescentes tem procurado atendimento com queixas que, no passado, não eram frequentes nessa faixa etária, como hipertensão, obesidade, dislipidemia e stress.

É fato que hoje nossos filhos passam mais tempo diante da televisão, ouvindo música, conectado na internet ou tudo isso ao mesmo tempo. Comem quantidades enormes de alimentos industrializados, enlatados, fast-food; praticam menos esportes, brincam menos ao ar livre. Todos esses fatores de riscos que levaram a uma previsão de que essa geração poderá ser a primeira onde os filhos viverão menos que os pais.

E como mudar nossos hábitos?

Foto: FreeDigitalPhotos.net
Foto: FreeDigitalPhotos.net

A criança é um ser em formação que aprende, principalmente, através dos exemplos que lhe são apresentados, portanto a criação de hábitos saudáveis passa pela mudança do nosso comportamento como pais. Cabe a nós estimularmos as atividades ao ar livre, as brincadeiras que exigem do corpo. Sei que não é fácil essa mudança, há vários fatores que precisam ser considerados; como a questão do espaço, cada vez mais raro nas grandes cidades; da segurança e também da nossa disponibilidade, uma vez que muitas vezes trabalhamos durante todo o dia e chegamos em um horário que impossibilita as atividades externas. Mas para mudar é preciso dar o primeiro passo, reservando um horário do dia para criança brincar em um parquinho, andar de bicicleta, jogar bola. Caso não tenha condições de realizar atividades externas durante a semana, invente brincadeiras na sua própria sala, coloque uma música, invente uma coreografia, brinque de morto-vivo, estátua, jogue videogame com sensores de movimento, procurando sempre jogos agitados. Use a imaginação, reserve esse tempo para vocês.

Outro ponto que precisa ser combatido é a alimentação desbalanceada e o erro alimentar. Na correria do dia a dia frequentemente lançamos mão de alimentos prontos ou fast-foods, no entanto esses alimentos são extremamente calóricos, ricos em gordura e conservantes que, certamente, cobrarão seu preço no futuro.

familia comendo02 (600x399)

Para a mudança de hábito alimentar é preciso, em primeiro lugar, se conscientizar de que há um problema. O erro alimentar está tão enraizado na nossa cultura que nem percebemos que estamos fazendo escolhas erradas. Por isso é importante, quando decidimos mudar, realizar um diário alimentar, anotando de forma honesta e meticulosa todas as nossas refeições durante o dia por pelo menos uma semana, desse modo o médico ou nutricionista consegue analisar o hábito familiar e, assim, definir estratégias para serem seguidas durante a reeducação. A partir daí é feito uma lista de compras que precisa ser seguida sem exceções, pois não dá para exigir força de vontade de uma criança ou adolescente se a despensa estiver repleta de guloseimas.

Com a vida agitada que levamos é muito difícil cozinhar todos os dias, essa é a principal desculpa que usamos para pegar o telefone e pedir uma pizza, mas com planejamento e organização é possível preparar um cardápio, cozinhar uma ou duas vezes na semana e acondicionar as refeições em recipientes para serem congelados e consumidos durante a semana.

A mudança passa por escolhas, mudar hábitos é um exercício diário que envolve toda a família, que deve estar consciente que essas mudanças levarão a todos a uma vida mais saudável. Dê o primeiro passo, sua saúde e a de seus filhos agradecem.

The post Precisamos mudar nossos hábitos appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/precisamos-mudar-nossos-habitos/feed/ 1
Meu filho tem sopro no coração. E agora? https://www.almanaquedospais.com.br/meu-filho-tem-sopro-no-coracao-e-agora/ https://www.almanaquedospais.com.br/meu-filho-tem-sopro-no-coracao-e-agora/#comments Mon, 01 Sep 2014 11:00:09 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8356 Meu filho tem sopro no coração, e agora? Dr. Claudio da Silva Miragaia explica o que é o sopro, como é diagnosticado, importância do ecocardiograma...

The post Meu filho tem sopro no coração. E agora? appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
A principal causa de procura ao consultório do cardiologista pediátrico é, sem dúvida nenhuma o “Sopro no Coração”. É extremamente comum na prática clínica e tira o sono, não só dos pais, como dos avós, tios e todos que se preocupam com a criança. A intenção desse artigo é tentar desmistificar um pouco essa entidade e tentar entender seu real significado.

bebe fofo

O que é o sopro no coração?

A primeira coisa que temos que ter em mente ao falar de sopro é que ele não é uma doença. O sopro é um sinal percebido na consulta médica, durante a ausculta cardíaca. É um ruído, um achado clínico, como, por exemplo, uma febre que o pediatra percebe durante o exame e precisa avaliar sua causa.

Sabendo disso vem à pergunta:

Mas porque aparece o sopro?

É nesse momento que entra a figura do cardiologista pediátrico. Todo sopro auscultado deve ser avaliado por um especialista para que se faça o correto diagnóstico de sua causa.

Os pais que tem filhos com sopro ficam extremamente ansiosos e preocupados, o que é plenamente justificável. No entanto é importante saber que a grande maioria dos sopros aparece no coração normal, sem cardiopatia, e outra boa parte é de causas simples e não limitam a vida da criança, sendo necessário apenas o seguimento e controle regular. Uma minoria dos sopros é causada por doenças que necessitam de intervenção e, mesmo nessas, somente uma pequena parcela é limitante. Por esses motivos é preciso que fique claro que o diagnóstico de uma doença, por mais grave que ela seja, não é um atestado de invalidez, pois mesmo nas cardiopatias mais complexas há tratamentos que permitem uma vida produtiva ao ser portador.

Ao avaliar o paciente com sopro temos que ter em mente a idade com a qual ele foi percebido. Apesar de não haver uma regra os sopros audíveis na idade escolar e na adolescência assintomática são sopros sem causas graves ou mesmos sem causas nenhuma, os chamados sopros inocentes. Já os sopros audíveis nos recém-nascidos e nos lactentes devem ser avaliados com maior critério, uma vez que a maioria das cardiopatias na faixa etária pediátrica é de causas congênitas, ou seja, aparece desde a vida intrauterina. O que não quer dizer que não exista sopro inocente no recém-nascido ou cardiopatia no adolescente.

Há também os sopros que são resultados de doenças sistêmicas que, dentre as várias complicações podem afetar o coração, levando a alterações tanto na sua estrutura quanto na sua função. Nesses casos a história clínica cuidadosa e os sintomas associados são fundamentais para elucidação diagnóstica.

Além desses há doenças que, apesar de não promovem alterações estruturais no coração, podem, durante sua evolução, apresentam a ausculta de sopro como consequência de alterações metabólicas e hemodinâmicas que ocorrem nessas afecções.

A importância do cardiologista pediátrico para o diagnóstico

O cardiologista pediátrico é treinado para diferenciar esses diversos tipos de sopro, através da história clínica e familiar, do exame físico geral, da ausculta e de exames complementares simples como o eletrocardiograma e a radiografia de tórax. Na primeira consulta já é possível ter uma ideia muito próxima da causa do sopro, e principalmente da sua gravidade, assim ao sair do consultório a família já começa a visualizar seu real significado e aos poucos vão se rompendo os estigmas que esse sinal carrega. Sabendo o que esperar partimos para o diagnóstico de certeza, do motivo real da presença desse ruído. Nessa fase é de importância fundamental o Ecocardiograma com Mapeamento de Fluxo a Cores.

O que é o ecocardiograma?

O ecocardiograma é o exame padrão para o diagnóstico de certeza da causa do sopro. Trata-se de um exame não invasivo que não requer nenhum preparo por parte da criança. Consiste de uma ultrassonografia do coração onde é possível avaliar a anatomia, a função e o aspecto dinâmico das válvulas e do músculo cardíaco. Esse exame deve ser realizado pelo ecocardiografista pediátrico uma vez que as cardiopatias da criança são diferentes das doenças dos adultos. Geralmente o consultório do seu cardiologista realiza esse exame.

Meu filho tem sopro no coração, e agora?

Feito o ecocardiograma teremos a última peça do quebra cabeça e fecharemos o diagnóstico. Nessa hora é o momento pra fazer todas as perguntas e tirar suas dúvidas, entender as opções de tratamento e assim ter tranquilidade, segurança e confiança para o seguimento do seu filho.

Resumindo, o sopro é uma situação corriqueira na prática clínica, sendo sempre necessária sua avaliação, pelo especialista, para o correto diagnóstico. Mesmo existindo doenças graves que são responsáveis pelo seu aparecimento a maior parte dos sopros tem causas simples que não requerem intervenções. Hoje as cardiopatias são muito bem conhecidas e com a evolução da cardiologia pediátrica, do ecocardiograma e de outros exames complementares, além dos tratamentos cada fez mais seguros e eficazes as crianças cardiopatas tem um horizonte de muitas realizações pela frente.

The post Meu filho tem sopro no coração. E agora? appeared first on Almanaque dos Pais.

]]>
https://www.almanaquedospais.com.br/meu-filho-tem-sopro-no-coracao-e-agora/feed/ 5