Luciana Bernal – Almanaque dos Pais https://www.almanaquedospais.com.br Do sonho de ser mãe aos 6 anos do seu filho Tue, 05 Feb 2019 17:57:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.1 https://www.almanaquedospais.com.br/wp-content/uploads/2016/09/cropped-logo-Almanaque-dos-pais-512x512-150x150.png Luciana Bernal – Almanaque dos Pais https://www.almanaquedospais.com.br 32 32 Um ano sem quimioterapia endovenosa https://www.almanaquedospais.com.br/um-ano-sem-quimioterapia-endovenosa/ https://www.almanaquedospais.com.br/um-ano-sem-quimioterapia-endovenosa/#respond Tue, 16 Dec 2014 16:00:06 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=9650 Luciana Bernal conta como foi passar um ano sem quimioterapia endovenosa, a vida, vaidade, sentimentos e sonhos.

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Acredito que todos ou quase todos conhecem ou já conviveram com alguém com câncer.

Mas posso afirmar que os mais próximos, marido, filhos e família são os que mais sofrem, e sofrem a valer.

É muito difícil ver uma pessoa que você ama debilitada, fraca, com a aparência diferente, sofrendo dia a dia.

Vi o sofrimento que causei a toda minha família, as inúmeras vezes que Daniel chorou, sofreu calado, a depressão que minha irmã Ana Maria entrou em silêncio, as crises compulsivas de choro do meu irmão Leandro, o carinho e a voz embargada do meu Pai quando soube da notícia, e por fim, as incontáveis vezes em que Sofia pedia para eu não ir (ao hospital, ou exames), aos prantos, e sempre dizendo: “Mamãe você vai voltar?” Foram momentos de muita tristeza vividos até hoje.

Desde a primeira cirurgia tomo quimioterapia oral, que também causa diversos efeitos colaterais. Mas nada comparado à quimioterapia endovenosa, essa derruba geral.

Durante o tratamento da químio, emagreci 12 kg, perdi todos os cabelos, mudei a cor da pele, na verdade em alguns momentos achei que não fosse suportar. Mas como sempre, olhava para aquele pedacinho de gente que dependia 100% de mim e erguia a cabeça para seguir em frente.

A parte mais penosa do tratamento até aqui foi a químio endovenosa, sem dúvida. Em alguns casos ela é mais leve, menos dias de infusão consecutivas. No meu caso, eram quatro dias por mês com infusão de 3 a 6 horas. No último dia eu não sabia a direção da porta da Clínica para sair, não entendia o que as pessoas falavam, parecia estar em outro planeta literalmente.

Foram seis meses, a última sessão foi dia 28 dezembro de 2013. Por isso, esse mês me faz lembrar muitas coisas, agradecer, agradecer e agradecer. No ultimo sábado teve a festa de encerramento da escola da Sofia. Por algumas vezes achei que não pudesse assistir, mas NÃO!!! Eu estava lá, feliz, emocionada e curtindo a alegria dela!

Eu realmente não sei o que acontecerá daqui para frente, mas sigo com o tratamento, sem pular um dia a químio oral e todos os outros mil remédios, mas meu corpo já está adaptado e, claro, às vezes, tenho umas quedas bruscas, e graças a Deus sempre tenho com quem contar, Daniel, Sofia, minha família e meus amigos que são indispensáveis em todo esse processo. SEMPRE tenho um ombro, sempre, sempre….. que sorte a minha né!?

Olho pra mim hoje e vejo por tudo que passei, queira ou não o físico reflete o emocional, e vejo outra pessoa.

Acredite, o câncer não é o ponto final, não podemos desistir nunca, por mais que esteja difícil, porque às vezes é quase impossível, é uma luta! Você contra ele!!!!

Esse mês é puro agradecimento, porque um ano sem a químio endovenosa é uma vitória, uma batalha a mais vencida, é a concretização da minha capacidade de vencer, é muito mais que esperava, é o melhor presente do Papai Noel.

Foto desta semana no salão - Voltando a me  sentir bonita, essencial para o tratamento.
Foto desta semana no salão – Voltando a me sentir bonita, essencial para o tratamento.

Quero deixar aqui uma mensagem de Paz nesse Natal, de força, e que todos que enfrentam o câncer e seus familiares tenham FÉ e nunca deixem de acreditar!!!! ACREDITEM SEMPREEEE!!!!!!!!! Porque a nossa vitória está por vir.

Se ajude!!!!! Ajude o câncer a não te maltratar tanto, reaja!!! Olhe que dezembro lindo Deus nos preparou….. o clima de renascimento está no ar! Olhe para dentro de si e renasça!!!!! Veja o quão forte você é!!!!! Veja o quão bonita você é! Veja como é bom viver!

FELIZ NATAL!

Força, Foco e Fé!!!!!

Beijos

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Me redescobri em uma viagem inesquecível https://www.almanaquedospais.com.br/redescobri-em-uma-viagem-inesquecivel/ https://www.almanaquedospais.com.br/redescobri-em-uma-viagem-inesquecivel/#comments Tue, 02 Dec 2014 10:00:23 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=9484 Quase 3 anos após descobrir o câncer, ganhei de presente uma viagem inesquecível com minha filha. Me redescobri, voltei cheia de fé, energia, força e ótimas lembranças.

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Olá queridos!!! Já estava com saudades….

Volto depois de umas férias, cheia de novidades e com o coração cheio de luz e paz!

Em maio de 2015 completará 3 anos que descobri que tinha câncer, e de lá pra cá minha rotina não tem sido nada fácil, algo pra lá de surreal para quem sempre foi super ativa, e sempre teve uma vida cheia de afazeres.

Mas digo a vocês algo: sem minha família, meus amigos e meus cachorros tudo seria extremamente mais difícil.

É uma rotina dura demais, tensa, e tudo que se vê ao redor são doentes, médicos, hospitais e exames! Sempre aguentei firme, mas a cabeça uma hora pede a ajuda dos olhos e imploram para que a visão de tudo isso se modifique mesmo que por alguns dias…. que se possa sair da realidade e ver algo diferente, lugares com pessoas saudáveis, paisagens, pessoas bonitas…enfim, sair da dura realidade vivida dia a dia, 24 hrs por dia.

Daniel acompanhando tudo isso de muito perto me deu de presente de aniversário algo inesquecível, uma viagem! Uma viagem com a Sofia!

Prontas para encarar 457 metros! Uhu!!
Prontas para encarar 457 metros! Uhu!!

Foi simplesmente incrível, ficaria dias aqui descrevendo os detalhes, os olhares de magia da Sofia, nossa proximidade, nosso carinho vivido ali dia a dia grudadas, como se ela ainda estivesse na minha barriga.

Conhecemos dois países, no primeiro ficamos na casa de uma amiga queridíssima, recepção melhor impossível, quanto amor rolava naquela casa! Nossas filhas tiveram uma sintonia incrível e nós matamos a saudades, nos divertimos, passeamos, eu esqueci que tinha câncer. Que delicia….. melhor sentimento que senti nos últimos anos!

Depois fomos a outro país, onde encontrei outra amiga, o que me fez ficar muito próxima dela, porque ela é incrível, apenas isso.

Passeamos horrores!!!! Abusei, e fui teimosa! Os médicos pediram para que eu não abusasse… hã!? Abusei tanto que até hoje estou sentindo (já voltei há quinze dias).

Minha amiga foi embora e então fiquei só eu e Sofia durante três dias, naquela cidade estranha (para o temor de toda minha família – se preocuparam devido a meu estado). Foi tão sensacional que não consigo descrever! Além de dar conta do recado, cuidar da pequena sozinha, eu me redescobri.

Consegui enxergar que toda aquela capacidade está aqui!!!! Que consigo SIM!!! E que o câncer é um bichinho bem chato que logo vai desistir de mim! Porque EU sou bem mais forte que ele, tenho FÉ! Quero ver minha filha crescer, fazer muitas e muitas viagens com minha família, correr com meus cachorros, amar meu marido como se não houvesse amanhã.

Conheci minha sobrinha, uma guerreirinha, que lutou à beça pra viver, identificação total. Uma parte abençoada da viagem.

Foi tudo sensacional e deixo aqui meu agradecimento a todos que fizeram da minha viagem um momento mais especial ainda: Carol, Lu, Le, Lucas, Fabi, Neco, Mi e Kata.

A saudade começou a bater! Vontade de abraçar o Daniel, ver meu Pai, meus irmãos, família, cachorros. Voltamos.

Voltei e dei de cara com a realidade de novo… em poucos dias tudo voltou ao normal, médicos, exames e etc., dei um pulinho lá no fundo do poço mas logo sai, pedi ajuda! (Bis, obrigada!!!)

Voltei diferente, com mais força pra lutar, com mais amor pra dar, com mais coragem, porque acreditei em MIM!!!!!! E tive a certeza de que a minha essência está aqui, por mais que a carcaça esteja cansada…

Obrigada amor da minha vida por essa oportunidade de aprender com a vida, de curtir nossa filha tão de perto, obrigada por existir, sem você eu não suportaria.

O amor nos move, nos faz enxergar lá na frente, nos motiva a viver.

Obrigada filha, por ser a melhor companheira desse mundo, por me entender, por nos amarmos tanto…

ACREDITEM, NOSSAS CÉLULAS VIBRAM POSITIVAMENTE QUANDO ESTAMOS FELIZES!!!!

CÂNCER, VOCÊ NÃO ME PERTENCE!!!!

 

FORÇA, FÉ E CORAGEM a todos nós!

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Adeus às madeixas!!! | A quimio me fez perder os cabelos https://www.almanaquedospais.com.br/adeus-as-madeixas-a-quimio-me-fez-perder-os-cabelos/ https://www.almanaquedospais.com.br/adeus-as-madeixas-a-quimio-me-fez-perder-os-cabelos/#comments Mon, 06 Oct 2014 13:30:09 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8900 Adeus às madeixas!!! | A quimio me fez perder os cabelos - Luciana Bernal, uma mãe que enfrenta o câncer, conta como lidou com a queda dos cabelos.

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Voltando lá nas histórias das cirurgias….para quem acompanha, havia parado no quarto procedimento cirúrgico.

Depois de um tempo, dores na bacia! Então vamos ao quinto procedimento e todo aquele sofrimento já descrito antes, para o congelamento do tumor. Dias no Hospital, dor, a distância da Sofia….

Como sempre, minha recuperação foi muito boa, voltei pra casa e já estava próximo dos exames de rotina, e fazer esses exames para quem tem câncer é como abrir uma caixa de surpresa, nunca se sabe o que vai encontrar, por isso eles causam tanto sofrimento, tanto medo, tanta angústia, quase que uma dor no coração, mas não tem como fugir deles, então vamos às fóbicas ressonâncias, que me fazem chorar compulsivamente TODAS as vezes que entro no laboratório e ouço aquele barulho quase que ensurdecedor.

Exames feitos, resultados nas mãos, e como não abri-los?! Juro que tentei por um tempo, mas não dá! Minha vida está ali dentro daquele envelope! Abri, e logo li que no meu fígado haviam lesões nodulares. Liguei para minha médica Dra. Cândida e ela pediu que fosse ao consultório no dia seguinte.

A sala cheia de médicos, todos analisavam as imagens e eu e Daniel abraçados esperando alguma resposta. Eu tremia! E Daniel me apertava e pedia calma.

“É Lu, teremos que entrar com a quimioterapia endovenosa”. Minha primeira pergunta: “Ficarei careca? Sim, essa quimio faz cair todo o cabelo…”

Meu mundo caiu novamente, eu chorava de soluçar ali na frente de todo mundo, sem pudor. O Daniel também chorou e me abraçava o mais forte que podia. O tratamento começaria em dias, o meu oncologista Dr. João Evangelista me disse que 14 dias após a primeira quimo os cabelos já iriam cair.

Eu e Daniel conversamos muito a respeito (eu sempre tive cabelos longos, loiros e bem tratados, sempre os adorei), e então eu cheguei a conclusão que não queria usar lenço, que ficava com muita cara de câncer, disse que preferia peruca. Daniel pediu que eu fosse à loja de perucas e comprasse aquela que eu mais havia gostado, independente do preço. Além de um marido e uma pessoa maravilhosa, foi extremamente generoso. OBRIGADA NA!

Fui à loja de perucas com minha irmã, que me ajudou a escolher e nesse dia achei melhor já cortar bem o cabelo para não estranhar tanto quando tivesse que raspar a cabeça. Peruca escolhida e então veio o cabelereiro e começou a cortar pedaços “enoooooormes” do meu cabelo. Olhava para o chão e parecia não acreditar!! Me senti tão triste, chorava tanto, mas tanto, que não consigo expressar porque só de escrever e me lembrar estou em prantos. Saí do salão com os cabelos batendo no queixo e já com a peruca, assim já iria me acostumando com aquele novo visual.

Comecei o tratamento de fato, extremamente pesado! Quatro dias seguidos por mês de infusão na veia, no último (sexta-feira), eu já não entendia mais o que as pessoas diziam, saía do Hospital completamente transtornada. E como o médico disse, duas semanas depois, ao tomar banho e lavar os cabelos, saiam chumaços em minhas mãos … mais uma vez desabei, fiz uma oração e pedi forças a DEUS. Saindo dali eu ligaria para pedir a minha irmã para vir em casa raspar de vez meu cabelo.

Saí, me troquei, coloquei um banco frente ao espelho do meu quarto, forrei o chão com jornal. Chegou minha amiga Ju em casa e eu contei o que iria acontecer. Ela tem um astral incrível e foi bom tê-la ali. Minha irmã chegou, dei a ela os apetrechos necessários, novamente fiz uma oração e prometi que pela SOFIA, que estava presente, não derramaria uma lágrima sequer.

Que momento triste! Mas cumpri o prometido, nenhuma lágrima e poucos fios minúsculos de cabelo na cabeça. Levantei fui ao banho novamente, passei as mãos na cabeça, que sensação estranha!!! Segurei firme, mas evitava me olhar no espelho … eu já não me reconhecia mais.

Luciana Bernal - esse era meu cabelão (285x427)Esse era o meu cabelão

Luciana Bernal - foto tirada em novembro 2013Foto tirada em novembro de 2013

Foram seis meses de puro sofrimento, pois no intervalo de uma quimio e outra eu ficava de cama. Entendi que os cabelos por mais importantes que fossem e o tanto que me deixavam mais bonita ficaram em segundo plano, que eu fiquei feia sim! Mas que o mais importante era minha VIDA e não minha beleza. Entendi que a vida não tem dó e quando você precisa passar por algo difícil, o mais fácil é aceitar do que se deixar abater e se revoltar, porque quando aceitamos os desafios da vida parece que tudo fica um pouco mais leve.

Esse post foi um dos mais difíceis de escrever porque sempre me escondi atrás de lenços e peruca! E me expor não está sendo nada fácil, espero que minhas palavras ajudem mulheres que passaram ou irão passar por isso. Acreditem, NÃO É O FIM DO MUNDO!

O importante é estar VIVO!!!!!

Hoje já estou bem diferente, meus cabelos estão crescendo e continuo lutando!

Força, Fé e Coragem!

Beijos

Lu

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Vida https://www.almanaquedospais.com.br/vida/ https://www.almanaquedospais.com.br/vida/#comments Mon, 22 Sep 2014 12:07:46 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8702 Luciana Bernal, uma mãe que enfrenta o câncer, neste post festeja a vida com a chegada do Vitor, filho de um casal de amigos.

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Durante esses dois anos e meio em que estou enfrentando o câncer, muitas e muitas coisas rolaram… vidas amadas se foram, mas também muitas vidinhas vieram ao mundo me trazendo mais cor e amor.

Algumas amigas-irmãs deram a LUZ, e infelizmente não pude acompanha-las! Nem na maternidade, tão pouco nos primeiros meses de vida de seus pimpolhos. Senti muito, mas muito mesmo! Muitas vezes mal conseguia levantar e só via as fotos através do celular ou e-mail. Sempre fui muito presente na vida dos meus amigos e o fato de não estar presente nesses momentos mexeu verdadeiramente comigo.

Vieram ao mundo nesse período Lari, Bia, Caru….. outros babys que moram longe, enfim! Essas três estavam bem pertinho de mim e não pude curti-las, mas o tempo foi bom comigo e não fez com que a distância diminuísse nosso carinho, hoje quando as vejo me derreto toda de tanto amor!

Na última sexta-feira, 19 de setembro, tive a GRAÇA de acompanhar de perto o nascimento de mais um pimpolho, o Vitor, filho da Isa e do Dida um casal de amigos que amo demais, uma amiga incrível que não via a hora de pegar seu neném no colo.

Fiz uma grande manobra, peguei trânsito, me perdi, fiquei nervosa, chorei, mas cheguei ao Hospital, não mais a tempo de vê-la antes de ir ao Centro Cirúrgico, mas com um recadinho no celular dizendo: “Amiga venha com calma, está tudo bem, obrigada por tanto carinho comigo e com o Vitor, TE AMO”. E como ando extremamente sensível, chorava incessantemente. Nesse momento, agradeci a Deus por desta vez conseguir ter saúde o suficiente para acompanhar o parto de uma grande amiga, enxuguei as lágrimas no carro, comecei a pedir proteção a ela e ao bebê, que tudo corresse bem e que o Vitor viesse logo ao mundo para nos alegrar.

Cheguei ao Hospital já bem cansada. Ali estavam as Vovós, algumas amigas da família e nossa amiga (minha e da Isa) Ju. Ficamos ali tentando conectar o computador para ver a sala de parto. Corre pra lá, pra cá, eu chorando de tanta felicidade de estar ali, e jogando conversa fora com a Marilu e a Vera (Avós). A Ju, correndo feito louca para conseguir a conexão e nada! E o tempo passando, e nossos corações acelerados, alguns olhinhos molhados (rsrs), quando descobrimos que não estávamos conseguindo a conexão com o quarto porque o danadinho ainda não havia nascido! Ufa!!!!!!

De repente a Ju vem correndo com o celular do Técnico!! Gritando: “NASCEUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!”. Todas pulamos do sofá e não conseguíamos entender muito o vídeo, estava de longe, mas vimos que os três passavam muito bem, Mamãe e Papai com olhinhos de choro, mas rindo e felizes! E Vitinho no colo, já todo enroladinho. Nos abraçamos forte, felizes demais!

Passou um tempo e Dida desceu para a sala onde estávamos. Esperei ele cumprimentar a família e depois nos abraçamos forte, um abraço de irmão, de felicidade, inexplicável!! Ele só sorria, estava bobo. Eu fiquei extremamente emocionada ao vê-lo!! Nem preciso dizer o quanto chorei (rsrsrrsrs), lembrei-me de tudo que já havíamos passado juntos e que hoje ele se tornava PAI, e no meu mais íntimo pensamento eu só agradecia por ter a chance de estar ali, aquilo significava tanto pra mim!!! Sinal de saúde, de independência de VIDA ao pé da letra, que momento feliz, obrigada SENHOR!

Algum tempinho se passou e quem aparece na janelinha?! Ele, o Vitor, gordão, lindo, um verdadeiro boneco! Quanto amor senti naquele momento, um sentimento que não dá pra explicar, senti tanta VIDA, tanta ESPERANÇA, tanta VONTADE VIVER que só eu e DEUS sabemos.

Vitor e sua Mamãe
Vitor e sua Mamãe

Minha mensagem de hoje amigos é que sempre, mas sempre existe algo que possa tirar você da tristeza, que possa te alegrar, que possa te mostrar uma nova chance, um novo caminho.

Obrigada Vitor, Lari, Bia, Caru, e todos os bebês dos meus amigos por essa oportunidade de me mostrar o mundo com muito mais amor, leveza e inocência. Obrigada por nos ensinarem que a vida é mais valiosa que tudo e que o Amor é o sentimento que nos move, literalmente nos move.

Força, Fé e Coragem a todos nós.

Beijos

Lu

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Resultado dos meus exames: Hoje eu quero AGRADECER! https://www.almanaquedospais.com.br/resultado-dos-meus-exames-hoje-eu-quero-agradecer/ https://www.almanaquedospais.com.br/resultado-dos-meus-exames-hoje-eu-quero-agradecer/#comments Mon, 08 Sep 2014 11:00:02 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8546 "Resultado dos meus exames: Hoje eu quero AGRADECER!". Depoimento da Luciana Bernal, uma mãe que luta contra o câncer.

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Chega uma hora da vida em que parece que as coisas não fazem sentindo quando se está doente.

Daí eu paro por dois segundos para pensar na minha Sofia, meu marido, família e amigos e vejo o quanto tudo é maravilhoso, como a vida é bela e como DEUS é tão grandioso e misericordioso.

Quem tem câncer precisa aprender a lidar com o MEDO, sim! O medo nos persegue, a ponto de nos fazer pensar que uma dor no dedinho da mão esquerda podem ser células malignas se desenvolvendo, terrível! É, no mínimo, atormentador saber que sua vida está na corda bamba, o tempo todo…

Eu, particularmente, tenho paúra de fazer os exames trimestrais, em especial, por entrar dentro da máquina de ressonância magnética. O que para muitos é algo normal, para mim é uma máquina torturadora, abafada, apertada, me sinto enterrada viva, sempre sofro muito ao fazer, pela fobia e pelos resultados. Aquele envelope enorme quando em minhas mãos podem ditar as regras do meu destino, então ao abri-los eu sempre peço proteção de Deus, ajuda mesmo, sabe? E quando estou dentro da máquina que faz um barulho quase que ensurdecedor, tenho procurado fechar os olhos e pensar em momentos bons, geralmente entre mim, minha filha e Daniel em alguma viagem que fizemos, nos meus irmãos, o quanto damos de risadas juntos, em meu Pai… e penso MUITO na minha Mãe, sei que ela rodeia aquela máquina o tempo todo e segura em minhas mãos me fazendo suportar aquela tormenta.

Já faço esses exames há dois anos, de três em três meses, sagrado. E tenho aprendido a “lutar” contra esse “medo”. Sempre precisei de companhia, inclusive para entrar comigo naquela sala congelante, e sempre tive companhia… Só que dessa última vez, o horário e dia estava horrível para todos, então “bóra” lá encarar o “monstro” sozinha.

Combinei com meu marido que nos encontraríamos no laboratório ao final do exame, deixei a Sofia com minha irmã e lá fui eu!

Como de costume cheguei lá, preenchi a ficha e meu coração batia mais do que o dia em que beijei Daniel pela primeira vez. Os olhos molhados, já com vontade de chorar e um medo incrível das horas que viriam pela frente.

Veio uma médica em minha direção, sentindo meu desespero pegou minha mão e disse: “Vamos juntas, vou ficar lá dentro com você todo o tempo, ok?”. Aquilo me deu certo alívio.

Surpreendentemente fiz o exame mais leve, várias lágrimas rolaram e o comentário nos corredores era: “Ela tem fobia, vamos tomar cuidado!”.

Deitei, me agarrei a um terço que ganhei de uma grande amiga (e que não tenho costume de usar), me colocaram toda aquela parafernália e já! Chorei nos primeiros minutos, depois fui pedindo ajuda espiritual e serenidade e fui me acalmando, como um bebê que está com sono e dorme no embalo doce do colo de sua Mãe.

Tudo terminado, saí e dei de cara com Daniel, saímos para comer algo e fomos embora. “Em três dias úteis entregaremos seus exames em sua residência, boa noite”.

Fingi que não ouvi, não queria mais aquele assunto pelas próximas horas.

Depois de três dias eles chegaram, e sem pensar um segundo, sozinha na sala, abri os dois enormes envelopes. Na minha leitura leiga, mas com um pouco de conhecimento de causa percebi que tudo ali andava bem, sem novidades. Chorei compulsivamente durante uns 5 minutos e mandei a resposta via celular ao Daniel, que ao ler me ligou: “Graças a Deus, quando via sua mensagem meu coração disparou desesperadamente”.

Eu e Sofia na praia agradecendo o resultado dos exames
Eu e Sofia na praia agradecendo o resultado dos exames

Neste post, só quero AGRADECER a DEUS por esses exames, pela minha vida, por essa jornada que, apesar de ser extremamente dura, me mostra que podemos superar nossos desafios e medos, que temos suporte espiritual o tempo todo e que DEUS está sempre ao nosso lado, onde quer que vamos, que não podemos desistir nunca porque a VIDA é nosso bem mais precioso, que cada segundo é valioso como um cristal e que vale a pena VIVER, vale a pena LUTAR, vale a pena estar VIVA!!!!!

Sei que minha luta ainda não acabou e nem tem data para isso, mas procuro viver um dia de cada vez, procuro aproveitar as pessoas que amo, meus cachorros, tudo que me dá prazer, porque de verdade não sabemos o dia de amanhã.

OBRIGADA MEU DEUS PELA CHANCE DE ESTAR VIVA, APESAR DE TODAS AS ADVERSIDADES.

HOJE SÓ TENHO A AGRADECER. OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA!!

Força, Fé e Coragem a todos nós!

Beijos

Até o próximo post

Lu

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Mães com câncer: A quarta cirurgia e uma perda mais que dolorida https://www.almanaquedospais.com.br/maes-com-cancer-a-quarta-cirurgia-e-uma-perda-mais-que-dolorida/ https://www.almanaquedospais.com.br/maes-com-cancer-a-quarta-cirurgia-e-uma-perda-mais-que-dolorida/#comments Mon, 25 Aug 2014 14:59:04 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8319 Mães com câncer: A quarta cirurgia e uma perda mais que dolorida, em meio ao meu tratamento o meu sogro também diagnosticado com câncer.

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Olá amigos,

Voltando um pouco na ordem de como tudo aconteceu, conto um pouquinho de um outro procedimento cirúrgico.

Como havia falado no segundo post, fiz duas cirurgias consecutivas, em dezembro de 2012, devido à metástase óssea, ok! Um tempinho para descansar (claro que continuando com aquela tonelada de remédios, uma média de 25 comprimidos/dia).

Os pontos da minha coluna não causavam dor, então o melhor a ser feito nesse caso era acompanhar com exames de rotina. Mas como nada é muito fácil, comecei a sentir uma dor no pé, sim no pé esquerdo! Isso foi em meados de fevereiro de 2013.

Vai pra lá, pra cá, exames mil, análises e a dor só aumentava, se tornando quase que insuportável. Depois de tanto estudarem foi descoberto que um pontinho na minha coluna (vértebra L4) causava essa dor. A dor era refletida no pé, porque o ponto encostava num nervo, então vamos a mais uma cirurgia.

Fiz novamente o procedimento de congelamento (o mesmo feito no fêmur), anestesia geral, internação, dor, e todo aquele pânico! Meu médico, uma pessoa abençoada, Dr. Ricardo, tirou aquela dor com as mãos! Passado o efeito da cirurgia e dos medicamentos já não sentia mais nada, e mais um pontinho se foi! Graças a DEUS!

Então, vamos “tentar” voltar a ter um pouco de normalidade. Nesse meio tempo meu Sogro já não vinha se sentindo muito bem (ele teve câncer no pulmão há 6 anos, mas estava curado). Sempre tive apoio incondicional dele e da minha Sogra nesse processo da doença. Lembro-me que quando descobrimos, naquele fatídico maio de 2012, o Daniel ligou para eles e disse: “Pai a Luciana está com câncer”. Eles, já com certa idade, morando em uma cidade próxima a São Paulo, perguntaram delicadamente se poderiam vir me ver. Claro que disse que sim. Cerca de uma hora e meia depois eles chegaram. Me abraçaram forte, chorei absurdamente. Ele, Seu Pedro, apenas ficou com os olhos molhados, sentamos à mesa da copa e ele me deu vários sábios conselhos, que tudo daria certo, que Deus estava comigo, relembrou de sua experiência e como estava bem!

Sofia em junho de 2012 na Festinha Junina da Escola com o Vovô
Sofia em junho de 2012 na Festinha Junina da Escola com o Vovô

Em abril de 2013, aproximadamente um mês depois da minha cirurgia na coluna, Seu Pedro apresentou uma piora no seu quadro e os médicos não descobriam a causa de tal desconforto, foi quando finalmente conseguimos um médico que deu o diagnóstico final, câncer de pulmão com metástase no cérebro. Deus foi extremamente misericordioso com ele, deixando-o sofrer naquele hospital solitário apenas uma semana. Foi quando ele partiu, dia 15 de abril.

Tive a oportunidade de me despedir, de dizer o quanto o queria bem, e o quanto havia aprendido com ele, disse a ele que não poderia haver um Sogro melhor! Nesse dia passei mal na UTI, precisaram me acudir e me tiraram da sala, era uma dor que não cabia no peito, muita dor! Como poderia perder alguém tão querido com câncer? De novo?! Perdi minha Mãe com câncer há 20 anos, um post que ainda não consegui escrever.

Pensei no porquê de tudo isso! Por que esse tal de câncer judiava tanto das pessoas, por que fazia as pessoas sofrerem e depois a levavam embora deixando um buraco de saudades aberto na família, nos amigos. Buraco esse que durará eternamente.

Me coloquei em seu lugar, já que eu também me trato de câncer, foi um misto de emoções! Amor, Medo, Saudades, Tristeza e a certeza de que meus domingos quinzenais nunca mais seriam os mesmos. Tínhamos o hábito de ir para a casa deles com as crianças e os cachorros aos domingos, eram dias incríveis! Dias em que as meninas curtiam os Avós, o Daniel seus Pais e eu meus Sogros. Nos divertíamos pra valer. Sofia curtiu muito o ”Vovô Pedinho“, assim ela o chamava, teve a sorte de ter um Avô tão amoroso que a balançava forte na rede (risos) e na poltrona de girar da sala de tv.

Foi difícil demais me reerguer novamente já que vinha de uma sequência surreal de cirurgias e tratamentos pesados. Meu psicológico estava destruído.

Como sempre, volto nas nossas crianças. A Sofia hoje aprende com o câncer que a vida não é nada fácil, que sofremos na vida e que a Mamãe não está sempre tão disposta o quanto ela (e eu) gostaríamos. Ela aprende a dor dentro de casa, antes aqui do que com os golpes duros desse mundo sem amor.

E quanto ao Vovô Pedinho? Ah, esse plantou uma sementinha no coraçãozinho dela, uma semente de amor que irá durar eternamente, pois ele continua vivo no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

Que DEUS esteja sempre comigo, com ele e com todos!

Força, Fé e Coragem a nós!

Beijos

Lu

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Mãe com câncer: Na cadeira do dentista https://www.almanaquedospais.com.br/mae-com-cancer-na-cadeira-dentista/ https://www.almanaquedospais.com.br/mae-com-cancer-na-cadeira-dentista/#comments Mon, 11 Aug 2014 13:31:11 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8109 Mãe com câncer: na cadeira do dentista, mais um capítulo da História de Luciana Bernal que busca sua cura no amor da sua filha e no apoio à outras mães.

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O que significa uma dor de dente para quem tem uma doença tão penosa?! Digo a vocês que muita coisa…

Há cerca de dois meses sinto uma dor terrível do lado esquerdo da boca. Certo, vamos ver do que se trata. Vai pra lá, vai pra cá e nada! Na sequência desse dilema iria realizar uma cirurgia no fígado, a sétima, para a retirada de dois nódulos que a quimioterapia endovenosa não havia conseguido eliminar.

Meu dentista, sempre muito atencioso, me medicou e disse que não era o momento de abrirmos nenhum dente, visto que a cirurgia seria em poucos dias, e eu precisaria estar bem para que corresse tudo certo.

Minha pequena e doce dentista Sofia
Minha pequena e doce dentista Sofia

Cirurgia realizada com sucesso, mas dessa vez foi diferente sabe?! Achei que fosse morrer. Sabia de todos os passos de um centro cirúrgico, de como tudo acontecia, como a anestesia geral me fazia mal, como tudo aquilo me causava medo. Foram momentos difíceis divididos entre mim e meu marido. Aquela separação na porta do Centro Cirúrgico dessa vez me fez pensar se veria o sorriso da Sofia novamente, pedi para ser totalmente sedada e atenderam meu pedido, foi um alívio!

Cirurgia feita, vamos para casa! Recuperação excelente.

E o dente? Ficou quietinho devido às medicações aplicadas para a cirurgia, mas assim que elas acabaram ele voltou a me atormentar.

Então retornei ao dentista e nada! Não conseguiam descobrir a causa de tanta dor. Até que um dia ele resolveu mexer em um dente que eu queixava bastante que doía, era lá do fundão, foi preciso extrai-lo. “O procedimento é um pouquinho chato Lu, mas vai dar certo”. Então, pensei: “Vamos lá encarar mais essa, preciso me livrar desta dor”.

Ele começou a me anestesiar e eu sentia como se cada célula do meu corpo estivesse se contorcendo de dor, mas segurei firme. E mais anestesia, mais e mais. Quando já não sentia mais a boca e minha cabeça estava doendo absurdamente começou a passar um filme e foi impossível controlar as lágrimas. Comecei a chorar como uma criança quando está com sono e quer a Mãe. Soluçava compulsivamente naquela cadeira. Ele parou tudo. Pediu que a secretária saísse da sala, tirou a máscara, deu um beijo em minha cabeça e disse: “Você está cansada de sofrer não é? Uma hora cansa, eu te entendo”. Era exatamente aquele sentimento que me domininava naquele momento, CANSAÇO. Ele então deu espaço para que eu me abrisse, e aquele choro reprendido e sempre querendo ser forte se foi em cerca de 20 minutos. Chorei muito, muito, muito, reclamei da vida e questionei o porquê de tanto sofrimento e que realmente não estava mais aguentando tanto “peso”. Me reestabeleci e disse que podíamos começar o procedimento. Mas, de fato, aquele não era um bom dia, ele começou o tratamento e fazia uma força incrível para extrair o dente, eu sentia muita dor mesmo, chorava e pedia a DEUS que me ajudasse a aguentar aquele momento, achei que fosse desmaiar. Durante todo o processo ele foi incrivelmente amigo, sensível, me pediu desculpas por me causar tanta dor, e fez o mais leve que podia, mas o mais leve era uma serra elétrica dentro da minha boca, fazendo tremer tudo, até os pensamentos mais escondidos. Enquanto aquele motor quase me matava de dor, as lágrimas escorriam e eu pensava que tinha que ser FORTE, porque dali a uma hora teria que levar Sofia para a escola.

Quando terminado demos um abraço forte e um “Me ligue se precisar, se sentir dor, para qualquer coisa ok”?!

Fui embora mais leve por ter desabafado tanto, por ter dividido tanta dor física e emocional. Cheguei em casa com metade do rosto inchado e com uma dor de cabeça que nunca imaginei que pudesse sentir. Sofia me olhou e disse: “Mamãe, você chegou!!! Vai me levar para a escola?! Podemos ouvir aquela música que eu gosto no carro??” Nesse momento fiquei anestesiada, mas não de dor e sim de alegria e gratidão por poder leva-la ao colégio ouvindo música bem alto e dançando no carro como ela gosta. Depois pedi para uma amiga trazer ela da escola, não consegui mais levantar durante o dia.

Fiquei deitada o resto da tarde, Nice a recebeu, deu banho e jantar. Daniel chegou, olhou pra mim e senti a tristeza em seu olhar, ele fica péssimo quando me vê debilitada daquele jeito.

Todos que passamos por um problema dessa magnitude temos o direito de cair, de extravasar de reclamar! Ninguém é de ferro, somos seres humanos!! Mas o mais importante de tudo é LEVANTAR, olhar pra frente, se apegar no AMOR, na VIDA….e termos a certeza de que amanhã será um novo dia, cheio de esperanças.

Força, Fé e Coragem a todos nós!

Até o próximo post

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Companheiro de Alma https://www.almanaquedospais.com.br/companheiro-de-alma/ https://www.almanaquedospais.com.br/companheiro-de-alma/#comments Mon, 28 Jul 2014 11:00:51 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=8025 Terceiro post de Luciana Bernal, uma mãe que enfrenta o câncer com garra, força, fé e recebendo todo amor da filha de 4 anos e de seu Companheiro de Alma.

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Amigos olá! Só para esclarecer, meus posts não seguem, necessariamente, uma linha cronológica. Pretendo contar todas as passagens que julgo interessantes até hoje, mas nessas entrelinhas aconteceram muitas e muitas histórias que gostaria dividir com vocês.

Companheiro de Alma

Quando se recebe a notícia de que você está ou alguém próximo está com câncer, bate um desespero praticamente mortal. Esse estigma todo criado ao redor do câncer tem fundamento, afinal, alguém sempre conhece outro alguém que teve câncer, que partiu desse plano, que sofreu, que não teve solução. Nessas horas o único pensamento que se passa é esse! Pois digo a vocês: não podemos nos apegar a esses comentários, nem tão pouco pensar que o seu caso é igual ao do fulano. Cada caso é um caso, cada vida, uma vida, e DEUS é único e a Ele devemos recorrer. Hoje, o câncer continua sendo uma doença grave, mas a medicina proporciona diversos tratamentos assertivos. Mas é preciso muita garra, fé e vontade de viver!!! Assim dominamos o câncer e não ele nos domina.

No meu ponto de vista, o câncer não tem nada a ver com mágoas guardadas e assuntos parecidos!  O que acontece é que um paciente com câncer tem necessidades físicas e biológicas de mudar sua vida como um todo. Deixar de se importar com pequenas coisas da vida, não guardar ressentimentos, saber perdoar! Porque ao ver sua vida escorrer entre os dedos, temos que agarrá-la de algum jeito. Além do que, nossa imunidade conta muito, mas muito mesmo em todo esse processo. A imunidade baixa é uma alegria para essas células malvadas que adoram se multiplicar! Então nada de alegrá-las! Imunidade alta!!! Alegria, vontade viver!!! Xô câncer!!

Fácil falar, bem difícil colocar em prática. Tudo fica extremamente mais leve e suave quando se tem alguém pra carregar esse fardo com você.

Apesar de toda dor emocional e o sofrimento físico tenho um companheiro de alma que caminha lado a lado comigo segurando minha mão, me fazendo enxergar que o Amor pode suportar tudo isso.

O câncer acaba com sua autoestima, deixa você com as formas corporais diferentes. Muito remédio, difícil! Ainda mais quando você é vaidosa, curte se cuidar…. é difícil à beça enxergar “outra” pessoa ao se olhar no espelho quando se está em meio a um tratamento de câncer. Dá vontade de sumir com todos os espelhos da casa, vontade de não se ver…. isso tudo é bem normal!

Mas se você tem alguém que diz que você continua linda, mesmo com 10 kg a menos, sem cabelo, com uma cor de pele diferente, com o corpo bem diferente daquele que fez seu parceiro se apaixonar por você, e que isso é apenas um detalhe, que você continua a mesma de sempre … ahh, como é bom! Sedas para o ouvido… Meu coração bate mais forte a cada olhar de amor que recebo de você, minha vontade viver se fortalece ao olhar a Sofia dormindo, brincando, vivendo, apesar de tudo tenho SORTE na vida. Obrigada PAI!

O dia mais feliz da minha vida!
O dia mais feliz da minha vida!

Extremamente importante nessa fase esse apoio amoroso, digo que sem ele seria extremamente mais difícil.

E se você não tem esse “alguém” ainda, não tem problema! Amigos e parentes podem fazer essa parte de uma forma diferente. O importante é estar rodeada de amor, simplesmente por todos os lados, como uma ilha em meio a um oceano.

E Sofia, por onde anda?! Ah, é a segunda noite que dorme fora de casa essa semana, primeiro foi passar a noite na casa da Nice (meu braço direito), pegou vários ônibus! Achou o máximo!!! Importante esses valores de como a vida não é só flores e carro com ar condicionado! Voltou de lá e parecia que tinha ido para a Disney!! Dando valor a pequenas e doces coisas da vida. Hoje foi a uma festa do pijama! Saudades?! Quase morro, mas ela está feliz e essa felicidade dela mata cada célula cancerígena que ainda insiste em ficar aqui, me rondando…

Obrigada Daniel e Sofia por serem essa fonte interminável de Amor. Obrigada por estarem a meu lado dia após dia e por me ajudarem cada dia a ter vontade de viver, viver pra vocês.

Hoje brindo a VIDA, afinal amanhã comemoro mais um ano de vida, e AGRADEÇO a DEUS pela chance que a vida está me dando de me tornar uma pessoa melhor, com mais fibra e mais força.

Força, Fé e Coragem a todos nós!

Beijos amigos! Até o próximo post…

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Mãe com câncer: perdi a apresentação de dança da minha filha na escolinha https://www.almanaquedospais.com.br/mae-com-cancer-perdi-a-apresentacao-de-danca-da-minha-filha-na-escolinha/ https://www.almanaquedospais.com.br/mae-com-cancer-perdi-a-apresentacao-de-danca-da-minha-filha-na-escolinha/#comments Mon, 14 Jul 2014 11:00:54 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=7914 Meu nome é Luciana Bernal e esse é mais um capítulo da minha história "Mãe com câncer: perdi a apresentação de dança da minha filha na escolinha."

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Olá  amigos, venho  dividir mais um pouquinho da minha história com vocês.
Em primeiro lugar gostaria que minha mensagem, meu “grito”, chegue até as Mamães que estão com  câncer e que acharam em algum momento que não pudessem suportar. É importante para nossa cura pararmos de nos esconder atrás da doença. Tudo fica mais fácil, mas, ao mesmo tempo, mais doloroso quando aceitamos e encaramos de frente, peito aberto, e tentamos lutar bravamente contra o medo, a dor ameniza e conseguimos enxergar a possibilidade de cura.

Volto no ponto chave da questão, nossos filhos. Como reagem, o que sentem, como interpretam essa reviravolta na família toda e na vidinha tão frágil deles.
Eles são nossa maior força. A vontade de ver um filho crescer, se desenvolver e aprender com esse mundão afora é maior que tudo, e o amor que nutrimos nesse cordão infinito é o que  dá razão  e sentido para levantarmos para encarar mais uma cirurgia, mais um tratamento, milhões de exames e consultas médicas . Acreditem, a cura está bem aí do seu lado, dentro de um saquinho de amor.

Após a primeira cirurgia, fui à Endocrinologista levar o exame  anatomopatológico para análise e saí de lá arrasada. “O seu tumor é raro, teve margem positiva (quando restam  micro células cancerígenas), e você vai iniciar com um tratamento de quimioterapia oral que irá durar em torno de 5 anos e 35 sessões de radioterapia. Fui  para o Hospital das Clínicas (uma história de sofrimento à parte) e lá fui recebida pelos melhores  médicos que  já vi na vida. Então comecei com a medicação um mês e meio depois da primeira cirurgia. Um remédio que causa diversas reações, diariamente. Apesar de tudo, até voltei a fazer alguns trabalhos fotográficos. Na sequência, vieram as sessões diárias de rádio. Indescritível os sintomas de enjoo, fadiga, desânimo, falta de apetite, entre outros. Já não dava mais para trabalhar. Mas era minha vida que estava em jogo, então me empenhei em fazer tudo direitinho, por mais penoso que fosse.
Em novembro do mesmo ano (2012), pouco tempo depois de terminado o tratamento de radioterapia, comecei a sentir fortes dores na virilha, que estavam me impossibilitando de andar direito, então borá lá pro médico. Metástase óssea! O que significa dizer que haviam focos secundários do câncer nos meus ossos. Pela terceira vez meu mundo desabou, e senti os dias contados novamente.

Minha segunda e terceira cirurgias

O foco maior, que causava a dor, estava no fêmur e o tratamento era cirúrgico. Fiquei quatorze dias no hospital, duas cirurgias complicadíssimas num intervalo de 48 horas, e dor, muita dor, daquelas que você nunca imagina sentir sabe? Pois é, era final de ano e a Sofia tinha apresentação de dança na escola, fiz questão que ela fosse. Pedi para gravarem. No dia da apresentação a dor de não estar lá com ela foi infinitamente maior do que a dor insuportável das cirurgias. Chorei pra valer. Mas feliz por ela estar participando (ela adora dançar!). De repente, de surpresa, uma batida na porta do quarto e ela entra com a roupa da dança. Entrou, subiu na cama, me abraçou forte e contou o como foi  legal a apresentação! Quis ver meu dodói e deitar ao meu lado naquela cama fria e impessoal do Hospital. Quanta felicidade e alegria senti naquele momento, impossível descrever.

Visita surpresa da Sofia, ainda com a roupinha da dança
Visita surpresa da Sofia, ainda com a roupinha da dança. Momento especial.

Assim essa pequena vem me ajudando a encarar o câncer de frente, mostrando o rosto e o coração, posso dizer que vale a pena entender a importância de sermos Mães, Mães que têm que passar valores de coragem, de como a vida não é fácil e de como é importante lutarmos para conseguirmos atingir nossos objetivos. Nos dias de hoje, devido à correria, acabamos por priorizar  o trabalho e as tarefas diárias e cuidar dos filhos se tornou algo mais “acelerado”, com uma qualidade aquém do que eles merecem. Hoje, a qualidade do tempo com a Sofia é prioridade, sempre tenho tempo para aquele banho demorado juntas, para as brincadeiras (que por vezes me deixam esgotada), para a saída da escola com uma pipoca, para assistir a aula de natação e bater palma a cada novo mergulho.

Desejo a todas as Mães que não passem por nada parecido, que dediquem mais tempo de qualidade aos seus filhos, e desejo com todas as minhas forças que aquelas que estão  passando por esse problema se apeguem nesses pedacinhos de gente que deixam nossa vida colorida e tiram o preto e branco que uma doença grave traz em nossos corações.
Força, Fé e Coragem a todas nós.
Até o próximo post.
Beijos.

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A história de uma mãe que descobre que está com câncer https://www.almanaquedospais.com.br/a-historia-de-uma-mae-que-descobre-que-esta-com-cancer/ https://www.almanaquedospais.com.br/a-historia-de-uma-mae-que-descobre-que-esta-com-cancer/#comments Mon, 30 Jun 2014 11:00:01 +0000 http://www.almanaquedospais.com.br/?p=7826 Meu nome é Luciana Bernal, tenho uma filha de 4 anos e essa é minha história: A história de uma mãe que descobre que está com câncer.

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Olá, meu nome é Luciana, tenho 40 anos, sou Mãe da Sofia de 4 anos, e tenho mais dois filhos peludos, o Bug e Pituka. Sou esposa do Daniel que me presenteou com mais duas meninas lindas vindas de outro relacionamento.

Neste momento me sinto “ presa”, cheia de Projetos em mente, cheia de coragem! Mas, talvez por conta da situação e cansaço, sem vontade, sem ânimo.

Deus coloca em nosso caminho pessoas especiais, e disso posso falar de boca cheia! Como é importante num processo de doença ter um amigo por perto, pra segurar sua mão, te puxar pra cima, te ajudar. Refiro-me especificamente agora à Monica Romeiro que se tornou minha “amiga de infância” depois que ficamos velhas! (essa é uma longa historia que conto em outra oportunidade). Por conta de nossa amizade sólida, tive esse impulso de escrever, de sair da bolha em que me encontro e partilhar com vocês minha história …

A história de uma mãe que descobre que está com câncer

Dia 17 de maio de 2012 descobri, por obra do destino, um câncer raro. O pior dia da minha vida. Receber uma notícia dessas é como ver que sua vida foi boa enquanto durou e que seus dias estão contados. É cruel.

Meu primeiro e único pensamento foi a Sofia. Como poderia ir embora tão cedo sem antes passar meus valores a ela? Na ocasião ela tinha apenas dois aninhos.

Lembro que na primeira cirurgia que fiz, e a mais complexa, para retirada do tumor primário, fui ao quarto dela durante a madrugada me despedir (já que internaria na manhã seguinte). Chorei até me desidratar. Que momento difícil, porque a vida haveria de fazer isso comigo…

 

Eu e minha filha dias após a cirurgia, ainda com meu cabelo natural.
Eu e minha filha dias após a cirurgia, ainda com meu cabelão.

Desde o começo de toda essa tormenta sempre fui muito sincera com ela, explicando, na linguagem de uma criança de 2 anos, que a Mamãe estava “ dodói”, que iria ao Hospital ficar uns dias por lá, para cuidar desse “ dodói”.

Ter câncer é difícil pra qualquer um e em qualquer idade, é um golpe da vida sem dó, uma apunhalada! Mas quando se tem um filho pequeno o medo se multiplica, mas sempre adotei a sinceridade para tratar esse assunto com ela.

De início, o fato de ser Mãe me deixava depressiva, eu olhava pra ela e não podia me conter, mas logo depois me imbui de algo inesperado e descobri observando aquele olhar doce e meigo que a força pela qual eu buscava estava bem ali na minha frente, e tinha nome: Sofia.

Comecei então a lutar pela vida de verdade, lutar para poder ficar com ela, lutar para me curar, lutar para levantar da cama e levá-la pra escola, lutar para cuidar daquele pedacinho de gente que dependia 100% de mim.

A dor e o desespero deram espaço à esperança e à vontade absurda de viver.

Da Sofia sempre vieram o apoio que precisava e preciso! Sempre com a VERDADE, sempre.

Ela também tem seus momentos de revolta, interpreto alguns como revolta pelo meu estado e outros pela própria idade mesmo.

Difícil separar esses dois! Porque dói dar bronca quando ela apronta para chamar minha atenção pelo fato da minha ausência, pois estou sempre em consultas, tratamentos e exames. Ser Mãe é uma tarefa árdua, diária, e não tem nada nessa vida que possa machucar mais uma Mãe do que ver seu filho sofrer.

Tento o tempo todo conduzir tudo da melhor maneira, entendendo o lado dela, mas também o meu lado, porque perdemos a paciência com nossos filhos com muita frequência e isso é muito normal! Estranho se fosse ao contrário. Até nisso ela tem me ensinado a ser melhor, não só como Mãe, mas como pessoa.

Tenho muitas histórias para dividir com vocês, pois há dois anos estou nessa luta… De lá pra cá muita coisa mudou, valores, vontades e o principal: a forma de educar minha filha.

 

Nos veremos em breve,

Beijos
Luciana Bernal

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