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Meu bebê nasceu com fissura labiopalatina, e agora?

Fissura labiopalatina – o conhecimento é o melhor tratamento

Foto: Reprodução http://randomoverload.org
Foto: Reprodução http://randomoverload.org

Meu bebê nasceu com fissura labiopalatina, e agora?

Apesar do avanço da tecnologia na avaliação intrauterina, ainda é comum o diagnóstico da fissura labiopalatina somente após o nascimento. Preocupação e amor se misturam ao ver o rosto do filho amado!

Enfrenta-se então a primeira barreira: a falta de informação. Infelizmente, apesar de uma em cada 650 crianças nascerem com algum tipo de fissura labiopalatina, é comum o desconhecimento por muitos profissionais da saúde, tornando os primeiros momentos de vida angustiantes.

Nos primeiros dias é fundamental a orientação especializada, seja por médico, fonoaudiólogo ou outro profissional experiente nos cuidados com crianças com fissuras. Isso por que as dificuldades e o tratamento do bebê variam de acordo com o tipo de fissura e o quadro clínico do bebê.

Ao receber o filho com fissura, a dúvida mais comum é: como meu filho vai mamar?

Quando o bebê nasce com fissura labiopalatina sem outros comprometimentos associados (síndromes e alterações neurológicas, por exemplo), ele deve ser estimulado ao aleitamento materno, já na maternidade. Devemos ficar atentos, pois de acordo com o tipo de fissura labiopalatina a criança pode ou não apresentar algumas dificuldades facilmente contornadas com ajuda especializada.

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– Fissura de lábio (pré-forame)

Quando a fissura acomete somente o lábio (sem acometer o céu da boca), o bebê pode apresentar uma pequena dificuldade inicial no posicionamento ao seio materno, facilmente adaptável à fissura. Para tal, caso o bebê não se adapte à posição tradicional (mãe sentada e bebê semi-sentado com a barriga em contato com a mãe), há estratégias no seu posicionamento ao seio materno, como:

–          Cavalinho: quando a mãe fica sentada confortavelmente e o bebê é posicionado sentado em suas pernas, de frente para a mama, com a cabeça apoiada pela mão da mamãe.

–          Invertida: para os casos de fissura unilateral, a criança pode ser posicionada à mama de maior preferência e facilidade. Ao trocar de mama, pode utilizar a posição invertida, quando a cabeça do bebê é apoiada com uma das mãos, fica de frente para a mama, as pernas encaixadas na região axilar e todo o corpo apoiado sobre a almofada ou travesseiro.

– Fissura de lábio e palato (transforame)

Também para este tipo de fissura, o aleitamento materno deve ser a primeira opção, podendo ser tentadas as diferentes posições apresentadas acima. Nestes casos, o bebê comumente apresenta sucção mais fraca, devido a presença da fenda palatina que dificulta a pressão intraoral necessária.

Quando o aleitamento materno não é possível, uma possibilidade é a utilização de mamadeira. Inicialmente é oferecida a chuquinha, modelo simples com bico de látex que, por ser um material pouco resistente, permite ao bebê com sucção fraca a extração adequada do leite. Este bico pode ainda ter seu furo adaptado, a fim de facilitar a extração do leite e favorecer seu ganho de peso.

É muito importante o controle da posição do bebê para evitar o refluxo de leite para o nariz ou ouvido (por meio da tuba auditiva). Ele deve estar sempre semi-sentado ou sentado, e nunca deitado, pois desta forma facilitamos o transito oral, evitando o refluxo.

– Fissura de palato (pós-forame)

A fissura de palato pode trazer dificuldades semelhantes às descritas acima, pois a comunicação entre boca e nariz dificulta a pressão oral, podendo causar também o refluxo do leite pelo nariz. Também para estes casos o aleitamento materno deve ser estimulado e, caso não seja possível, passa-se a utilizar a mamadeira como estratégia.

 

Superadas as angustias e dificuldades iniciais, é o momento de pensar no tratamento do bebê. No próximo artigo vamos discutir sobre os tratamentos oferecidos no Brasil e suas etapas e a importância.

Abraço,

Sobre Dra. Daniela Barbosa

Dra. Daniela Barbosa (CRFa. 15230-2) é fonoaudióloga, mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Motricidade Orofacial pela USP. Professora do Curso de Fonoaudiologia da Unopar. Faz parte da equipe de As Fissuradas, no Facebook, onde mantém um diálogo aberto com as mães. Atua em consultório particular e também em centro especializado em malformações craniofaciais.

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