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O que mais sinto saudade da época sem filhos

Vocês devem pensar que estou ficando ranzinza, afinal meus últimos posts falam muito sobre os desafios da maternidade sem salientar toda a beleza que envolve ser mãe e amar seus filhos incondicionalmente. Mas não é nada disso, é que eu ando numa fase de resgate ao meu eu, afinal passei alguns anos focando no bem estar dos meus filhos.

Me dei conta que ter meus filhos felizes é parte da minha felicidade, mas não é tudo. Eu também tenho minhas necessidades e sonhos que não envolvem os pequenos, na verdade alguns sonhos não envolvem ninguém além de mim.

Todos esses pensamentos e reflexões me levaram a uma nostalgia enorme da época sem filhos, fase em que eu não demorava mais do que 5 minutos para estar pronta para sair e até para mudar os planos. Ver o sol nascer em um mirante de Campos do Jordão poderia ser resolvido num papo com amigos no sábado a noite e em poucas horas estávamos lá admirando um lindo sol nascendo, passando frio e gargalhando do programa de índio.

E foi assim, rindo das minhas histórias que resolvi fazer uma lista do que mais sinto saudade.

O que mais sinto saudade da época sem filhos

mulher telefone

  • Falar ao telefone sem que meus filhos comecem a me chamar ou brigar (só eu sofro disso? basta pegar o telefone que minha casa vira de cabeça para baixo. Costumo chamar isso de “Magia do telefone nas crianças”)
  • Happy hour com amigos no fim de tarde (nem me lembro a última vez que fui….)
  • Sair de casa sem uma tralha de fraldas, roupas extras, suco… (2 filhos pequenos é tralha em dobro! Pesa e demora para arrumar)
  • Cineminha com o maridão sempre que der vontade (era nosso programa preferido pegar um cineminha ao sair do trabalho, emendar num jantarzinho gostoso e chegar em casa sabe-se lá que horas)
  • Viajar sem as crianças (não, final de semana não vale!)
  • Dormir sem roupa (nem precisa explicar essa, neh?)
  • Acordar depois das 9:00AM nos finais de semana (meus pequenos acordam antes das 7:00AM)
  • Ir ao supermercado só quando não tem nem água na despensa (hoje em casa não pode faltar frutas e legumes frescos, é supermercado toda semana)
  • Sair para jantar (meus filhos dormem 19:30, então jantar fora não é uma opção fácil)

 

Parece que essa vida sem filhos aconteceu há zilhões de anos e o engraçado é que minha memória cisma em focar meus melhores momentos na minha vida após a maternidade.

E vou ser sincera, não troco minha vida de mãe por nada!! Algumas noites durmo pouco ou mal consigo dormir, sempre me atraso para os compromissos, vivo descabelada, meu carro é um furacão de brinquedos, cadeirinhas e até toalhas para o caso de alguém passar mal, minha roupa está sempre com manchas de boquinhas e mãozinhas que adoram me usar como guardanapo e é assim que eu sou feliz, é assim que eu vivo e é assim que quero viver.

Saudade do passado é sinal que fui feliz antes de ser mãe também, mas a maternidade me mostrou um outro lado da vida que também é espetacular. Não tem como explicar a emoção de ver que seu filho para de chorar quando, ainda na sala de parto, o colocam próximo ao seu rosto, ou quando você se dá conta do amor que seus pequenos sentem por você, ou quando ouve pela primeira vez “Eu te amo mamãe”!

Claro que sinto falta de muitas coisas que vivi, e sinto saudade sem culpa alguma! Ter sido feliz antes não me torna infeliz hoje, pelo contrário, me mostra que minha vida muda e posso me reinventar, que posso gostar de novas coisas que nem imaginaria há alguns anos atrás. E, principalmente, mostra que posso escrever uma lista de coisas que tenho saudade e, ainda assim, continuar amando a vida que tenho hoje.

A lista? Ela será riscada após cumprida, item a item e às vezes mais de uma vez. Alguns itens precisarão de um tempinho para que meus filhos cresçam, como dormir até tarde nos finais de semana ou mesmo me dar folga quando o telefone toca, outras eu posso planejar e deixar as crianças com meus pais em algum final de semana para realizar mais rápido, como pegar um cineminha, sair para jantar…  E assim vou me reencontrando com as saudades do passado, me recriando para o futuro, me realizando no presente e sendo feliz.

Sobre Monica Romeiro

Monica Romeiro
Monica Romeiro é mamãe babona e apaixonada do Lucas - nascido em janeiro de 2011 - e da Larissa - nascida em julho de 2012 -, casada, publicitária por formação e empreendedora na Internet por paixão – paixão por criar, ler, escrever, pesquisar, colaborar, navegar, ajudar e compartilhar suas experiências. Escreve (sem papas na língua) sobre maternidade e dá dicas sobre empreendedorismo.

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2 comentários

  1. Gostei muito do texto e da sua declaração de amor a maternidade, mas me sinto frustrada por não sentir o mesmo. Sei que posso ser taxada de egoísta ou fria, mas o fato é que não queria perder a liberdade/privacidade que tenho hoje (e que já está ficando limitada por causa do barrigão). Fiquei grávida por falha do medicamento que eu tomava na época e agora me vejo prestes a ser mãe – sendo que jamais desejei me tornar uma! Isso mesmo, é horroroso eu sei, mas jamais quis ser mãe, não levo jeito com crianças, jamais me imaginei com um barrigão ou amamentando ou recolhendo brinquedos do chão. Estou desesperada e infeliz! Completei 5 meses e ainda não consigo aceitar minha situação. Tento evitar falar sobre a gravidez, mas é impossível. Vivo na maior parte do tempo encenando e fingindo que sou a mulher mais realizada do mundo e isso está acabando comigo, pois odeio falsidade. Meu marido sempre apoiou minha decisão em não ter filhos, mas aceitou prontamente quando dei a notícia, já eu…

    Enfim, isso foi apenas desabafo, por favor, não me apedrejem, pois eu já faço isso mentalmente todo os dias. Faço terapia e estou sempre procurando textos positivos sobre a gravidez para tentar mudar meus sentimentos. Peço que orem por mim. Obrigada.

    • Monica Romeiro

      Obrigada pelas palavras sobre meu texto Simone!

      Não se sinta frustrada por seus sentimentos, muito menos aceite que te apedrejem por não ter desejado a maternidade. É preciso respeitar a escolha de cada um ao invés de sair julgando.
      Apesar de ter desejado engravidar, eu também era do clube que não pegava criança no colo e achava que seria uma mãe “mais ou menos”. Outro ponto agravante para muitas gestantes é que gravidez realmente não é aquela beleza toda – que lemos na Internet – para a maioria das mulheres: dá sono ao mesmo tempo que atrapalha para dormir, causa enjoo, dor de cabeça e o barrigão muitas vezes pode arruinar o visual mais do que embelezar a mulher, não é mesmo?
      Mas a mãe-natureza é sábia, ela se encarrega de adoçar o coração das mamães assim que o bebê nasce e instantaneamente para de chorar ao ser colocado perto de seu rosto. Acredite, você vai se surpreender da melhor maneira possível.

      Muita luz e as melhores energias para você e seu bebê.

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