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Obesidade infantil

Obesidade é uma doença?

Sim. Em todas as idades a obesidade é considerada uma doença.

O que é obesidade?

balanca02É a doença na qual existe um acúmulo excessivo de gordura no indivíduo. Tal acúmulo dificulta o metabolismo e aumenta o risco da pessoa, seja ela criança, adolescente ou adulta, desenvolver outras doenças como diabetes, colesterol elevado, hipertensão, infarto do coração, derrame cerebral, câncer, dores articulares e na coluna, apneia do sono dentre outras.

Como saber se meu filho (a) está obeso (a)?

O diagnóstico de obesidade na criança e no adolescente não é tão fácil quanto no adulto. No adulto, seja homem ou mulher, basta você calcular o Índice de Massa Corporal (IMC) dividindo o peso (em Kg) pelo quadrado da altura (em metros), por exemplo, uma pessoa de 80Kg com 1,75m tem um IMC de 80/(1,75)²=26,1. Se o IMC estiver entre 20,0 e 25,0 a pessoa é normal, entre 25,1 a 30,0 tem sobrepeso e de 30,1 ou mais tem obesidade.
Na criança e no adolescente também usamos o IMC, que é calculado da mesma forma, porém os valores que definem o normal, o sobrepeso e a obesidade variam de acordo a idade e se é menino ou menina, assim, não há valores fixos, como nos adultos. Portanto, além de fazer uma medida bem precisa do peso e da altura das crianças e adolescentes em aparelhos apropriados, também precisamos de tabelas especiais nas quais colocamos o valor do IMC encontrado, o sexo da criança e a idade para então sabermos se ela está normal, com sobrepeso ou obesa. Por isso esse diagnóstico deve ser feito preferencialmente por profissionais da saúde.
Existem outras formas de diagnosticar obesidade, porém o IMC é uma forma prática, rápida e a mais usada no mundo todo.

Toda obesidade é igual?

Não. Existem dois tipos básicos de obesidade, a primária e a secundária. A primária corresponde a cerca de 95% dos casos e a secundária a menos de 5%. Na obesidade primária não temos nenhuma doença de base que justifique o excesso de peso, normalmente ocorre um desequilíbrio entre a energia que entra em forma de alimento e a que sai em forma de atividade física e o excesso de energia se acumula em forma de gordura. Na obesidade secundária, o excesso de peso é fruto de uma doença identificável, como por exemplo, excesso de glicocorticoides (cortisona), deficiência do hormônio de crescimento, hipotireoidismo, síndromes genéticas (Prader Willi) dentre outras.
Uma dica para ficarmos atentos e que ajuda a diferenciar a obesidade primária da secundária é o crescimento da criança. Normalmente na obesidade primária a criança cresce bem e na secundária o crescimento é ruim.

Então a obesidade primária (a mais comum) não tem causa?

Na verdade, os estudos mostram que a obesidade primária, que acomete a vasta maioria das crianças e adultos, não tem uma causa única, e sim ela é fruto da somatória de várias pequenas causas genéticas e ambientais que, em conjunto, leva a um desequilíbrio entre a energia que entra em forma de alimento e a que sai em forma de atividade física e o excesso de energia se acumula em forma de gordura, conforme dito anteriormente.
Trocando em miúdos, isso significa que algumas pessoas já nascem com uma tendência a serem gordinhas, ou seja, seu metabolismo (que em grande parte é determinado geneticamente, genes esses que herdamos dos nossos pais) favorece o acúmulo de gordura. Se tais pessoas, além de terem uma tendência a serem gordinhas, ainda adotam um estilo de vida, vamos dizer, não muito saudável, então juntamos todas as peças necessárias para desenvolver a obesidade.
Falando em estilo de vida não muito saudável, podemos dizer que o mundo de hoje é muito convidativo para a obesidade, vamos citar alguns pontos: hoje em dia as brincadeiras de criança gastam menos energia (TV, DVD, tablets, internet, laptop, vídeo game, celular, controle remoto etc.). Por outro lado, a oferta de alimento é muito ampla (lanches, fast food, bolachas, iogurtes, sorvetes, chocolates, refrigerantes etc.). Ainda tem o fato de as mães trabalharem fora, assim ninguém cozinha em casa e acabamos por almoçar em restaurantes, onde fica bem mais fácil exagerar e à noite, como todos estão cansados, fica mais fácil pedir uma pizza do que fazer o jantar.

Como tratar a obesidade infantil?

Bem, essa é a grande questão: como tratar? É bom começarmos dizendo que, infelizmente, não há nenhum remédio que seja realmente eficaz e especialmente no caso de crianças, poucos são os remédios testados e aprovados. Também é importantíssimo deixar claro que não existem fórmulas mágicas com as quais iremos perder peso de forma rápida e definitiva, sem perder junto a saúde.
O tratamento deve ser sempre direcionado por um profissional da saúde. A abordagem atual envolve, na verdade, toda a família e não apenas a criança em questão. O intuito maior do profissional da saúde, juntamente com a família, é tentar criar, dentro da realidade de cada lar, uma rotina saudável para todos (pai, mãe, irmãos, avós, primos etc.), assim todos vão adequar seus pesos e a criança, consequentemente, também.

Vão aí algumas dicas:

– ter horários bem estabelecidos para as refeições;
– não repetir o prato no almoço e no jantar;
– não trocar o jantar por lanches ou pizzas:
– comer frutas e beber água nos intervalos;
– evitar as tentações (não ter guloseimas em casa)
– escolher apenas um dia na semana para sair da rotina;
– fazer exercícios regularmente. Para crianças indicamos exercícios leves (brincadeiras de correr, caminhar, esportes), de 30 a 60 min, cinco dias na semana.
A perda de peso deve ser lenta e gradual, perdas muito rápidas de peso podem indicar doença e não fazem bem à saúde.

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Sobre Dr. Marcelo Amaral Ruiz

Endocrinologista Pediátrico. PhD em Saúde da criança e do Adolescente pela USP. CRM-SP: 113266 e Registro de Especialista no CRM-SP 238842. Atualmente trabalha em consultório próprio em São José dos Campos. Contato: (12) 3922-0331

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Um comentário

  1. Boa tarde!

    Gostaria de uma informação pois estou muito preocupada com minha neta; pois ela tem 2anos e 6 meses e tem 1,10m de altura e 19 kg. Isto é normal?

    Obrigada.
    Sheila.

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