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Depoimento de uma tentante que alcançou seu sonho de engravidar

Meu nome é Brisa Maria Folchetti Darcie, sou advogada, casada desde 2008 com o Alessandro Darcie (o grande amor da minha vida), tenho 37 anos e gostaria de contar um pouco da minha história de luta, na busca por um filho.

Assim que nos casamos (outubro), eu e meu marido decidimos logo engravidar.

Tentamos por um ano em casa e após nada acontecer, partimos para investigações. Descobrimos através de um Papa Nicolau, que eu tinha HPV (pré-câncer – NIC III). E em agosto de 2009 parti para minha primeira cirurgia, para retirada de um pedacinho do colo do útero. Os médicos indicaram tentar engravidar em casa e o resultado: nada!

Em outubro de 2010 descobri que eu tinha que ser submetida a nova cirurgia, pois estava com endometriose profunda. Após esta segunda cirurgia (videolaparoscopia), os médicos mandaram, mais uma vez, tentar engravidar em casa e o resultado: nada!

Depois descobrimos que meu marido (quando tinha sete anos de idade) fez uma cirurgia de criptorquia bilateral (pois os dois testículos eram internos). A partir daí, o Alessandro também precisaria de acompanhamento médico e a nossa “saga” começou através de consultas, exames, clínicas, laboratórios, remédios, injeções, sendo-nos indicado a fertilização in vitro.

Em agosto de 2011 fizemos a nossa primeira FIV. Tive hiperestimulação ovariana e o tratamento precisou ser suspenso, pois corria risco de morte. Neste momento, foram congelados todos os embriões (15 óvulos que se transformaram em 12 embriões). Depois que eu melhorei, fiz três transferências de embriões congelados (TEC), mas nenhum deu certo. Nisso tudo, o psicológico acaba conosco. Foi a primeira e mais difícil fertilização e aceitação de um negativo, mas eu estava disposta a tentar quantas vezes fossem necessárias.

Em 2013, com a cabeça mais tranquila, mudamos de clínica e fizemos mais duas fertilizações. Com outro protocolo, as coisas foram diferentes: se por um lado não tive a hiperestimulação, por outro não consegui ter embriões sobressalentes para congelar. Na segunda (em junho), comecei a sangrar um dia antes de fazer o teste de gravidez. Quando fiz o exame, deu indeterminado (valor 20): eu tive implantação, mas não progrediu… é a chamada gestação química! Fiquei muito esperançosa e sabia que meu bebê estava próximo. Assim, resolvemos em agosto tentar mais uma vez, juntando todas as nossas moedinhas e economias, fiz o beta e não deu certo de novo. Os médicos, agora, diziam que talvez estivéssemos com problemas de desenvolvimento do embrião (genético) e isso me assustou demais, mas nada era provado. Neste meio tempo, descobri que sou portadora de trombofilia leve (mutação heterozigota).

Em dezembro daquele mesmo ano, mudei mais uma vez de médico e de clínica, partindo para a 4ª fertilização. Tive 18 embriões e novamente precisamos congelar todos, porque, uma vez mais, tive hiperestímulo ovariano. Em fevereiro de 2014 eu fiz a transferência, usamos um arsenal de medicação nunca utilizado anteriormente (clexane, imunoglobulina, vacina do sangue paterno) e, por uma benção de Deus, tivemos o primeiro positivo: que sonho, nossa luta tinha acabado! Primeira US, descobrimos que a gestação era gemelar. Contamos para os familiares mais próximos e, na segunda US, já não tinham mais batimentos cardíacos. Como dói um aborto: dói na alma! No dia 30 de março de 2014 eu fiz a primeira curetagem. Fui dilacerada, arrancaram meu coração e nunca mais devolveram. Neste momento, descobri que a causa do aborto era genética, pois enviamos para análise. Mas a médica disse que dificilmente os demais embriões tinham o mesmo problema e, portanto, acreditamos em suas palavras.

Em julho daquele ano, já mais calma emocionalmente, fizemos a segunda transferência e veio o negativo, que, neste momento, já não me abalava mais.

Em janeiro de 2015 fizemos mais exames e transferimos os últimos bebês congelados: positivo mais uma vez. Primeira US: ouvimos o coração, que é o som mais lindo do mundo, para uma tentante! Nos enchemos de esperança, pois desta vez as coisas estavam diferente. Fomos fazer a segunda US: sem batimentos cardíacos de novo! Por que, meu Deus? Por que de novo? E, infelizmente, um ano após a primeira curetagem, no dia 30 de março de 2015, novamente eu estava na maternidade, mas não para ter um bebê e sim para ser submetida à nova curetagem. Desta segunda vez, o baque emocional foi maior. Eu duvidei, questionei a Deus, chorei e tive princípios de depressão. Mas as palavras dos médicos eram sempre as mesmas: nós temos muita chance, tanto pela idade quanto qualidade embrionária. Enviamos para análise genética e, desta vez, o exame veio normal.

A sugestão, neste momento, seria iniciar uma nova fertilização, com análise genética (que é a opção de verificar e transferir apenas embriões saudáveis para meu útero).

Em agosto de 2015, partimos para a 5ª FIV, com análise. Nesta fertilização, a intensão era conseguir o maior numero de embriões, pois apenas os melhores (blastocistos) iriam para a clínica genética. Todavia, a hiperestimulação desta vez foi tão grande, que eu precisei ser submetida a uma intervenção médica, para drenar o liquido abdominal sob risco de ter embolia pulmonar. Foram drenados quase 2 litros de líquido. Eu me assustei demais e prometi para mim mesma: FIV nunca mais! Para nossa surpresa, dos 32 óvulos que tive, enviamos 7 embriões para análise (os que chegaram aos estagio blastocisto) e acreditem: nenhum viável! Todos tinham problemas genéticos variados, incompatíveis com a vida. Esse resultado foi tão horrível quanto comparado a um aborto. Nós havíamos gasto mais de R$30 mil em vão.

Neste momento, totalmente desgastados emocional e financeiramente, começamos a pensar na opção da gestação do coração. No começo eu fui contra; meu marido sempre aceitou. Mas aos poucos percebi que a adoção seria a forma de poder ser mãe.

Em outubro de 2015 demos inicio ao processo de habilitação e, para nossa surpresa, no dia 30 de março de 2016 tivemos a entrevista com a psicóloga do fórum (caramba, esse 30 de março me persegue e eu o vejo como um dia ruim).

Em janeiro de 2016 comecei a sentir muitas cólicas e descobri, através de exames, que minha endometriose tinha voltado. Assim, no mês seguinte, fiz uma nova videolaparoscopia (que desta vez foi bem mais agressiva, com focos nos ovários, bexiga, vagina, fundo de saco e intestino). Nesta cirurgia eu coloquei DIU, mas tive rejeição: sangrei e tive cólicas insuportáveis por 100 dias, até que resolvi tirá-lo.

Em julho de 2016, fomos definitivamente habilitados no CNA (Cadastro Nacional de Adoção) e agora já estávamos grávidos do coração. Meus pais foram (e são) contra essa opção, por puro preconceito. Mas mesmo assim, estamos firmes neste propósito e nosso perfil é bem amplo: aceitamos receber uma criança de até cinco anos e meio, qualquer cor, raça, forma de concepção e doença. Mesmo assim, a fila de espera gira por volta de sete anos.

Em agosto do mesmo ano, comecei a me questionar: se eu aceito uma criança que foi gerada por outros pais, porque eu não aceitaria um embrião doado? Em várias clínicas, após os casais conseguirem seus filhos, muitos doam os embriões “sobressalentes”. Isso começou a mexer comigo e meu marido encarou comigo mais esta decisão. Não se trata de doação de óvulos ou espermas; mas sim doação do bebê já formado (embrião), com outro DNA e que eu poderia gerá-lo em meu ventre.

Fomos em três clinicas e, diante do tamanho desespero, fomos ludibriados. Em uma dela, muito famosa, aliás, foi-nos prometidos embriões de excelente qualidade e, quando questionamos mais a fundo, soubemos que se tratavam de paletas congeladas há mais de 10 anos, sem qualidade. Estávamos quase aceitando, no desespero, até que conhecemos o Dr. Pedro Monteleone. Ele é um médico prático e que duvida de muitas intervenções. Na nossa primeira consulta, um domingo, que durou mais de 3 horas, ele nos provou por A + B que devíamos usar sim nossos óvulos e espermas e que conseguiríamos nosso bebê. Mas e o risco de um novo hiperestímulo? De novo aborto? De alteração genética em todos os embriões? Era um risco sim, mas meu marido estava disposto a tentar, antes de usarmos os embriões doados.

Até então tudo era feito do meu jeito, e, desta vez, eu entreguei. Assim, em setembro de 2016, encaramos a 6ª fertilização in vitro (mais para não contrariar meu marido, que SEMPRE acreditou, SEMPRE me apoiou e SEMPRE esteve em meu lado em todas as consultas) e alguns dias depois, tive meu terceiro positivo. Nesta fiv, eu tive 11 óvulos, 11 embriões e 11 blastocistos. O médico disse que nunca tinha visto uma qualidade embrionária desta forma e que “não sabia como é que tinha me conhecido, porque eu já devia ter engravidado há muito tempo” – suas palavras.

Neste momento, eu não tinha mais medo do resultado dos exames de beta: se positivo ou negativo – mas sim da terrível segunda US. Repetimos o exame: o beta não dobrou em 48 horas, como era para ter dobrado. Quem é tentante há anos, já liga o botãozinho (“opa, há algo errado”), mas seguimos confiantes. Primeira US: tamanho do bebe não era o esperado; segunda US, adivinha? Sem batimentos cardíacos. No dia de finados: 02/11/2016, eu estava pela terceira vez, na recepção da maternidade, cheia de gestantes felizes prontas para parir, fazendo minha terceira curetagem. Neste dia, eu jurei a mim mesma: só voltaria ali quando for a hora do meu parto. Chega!

Em janeiro de 2017 decidimos realizar o exame de analise genética nos embriões que estavam congelados (a contra gosto do médico), mas eu não queria “pagar para ver” mais uma vez.  Recebemos o laudo e, de 6 blastocistos analisados, para nossa grande surpresa, 4 vieram como normais!!! Assim, transferimos os dois melhores e, 10 dias depois: um belo negativo!

Como é que isso é possível? Depois de tudo?

Mas, ainda tínhamos uma última chance (com dois embriões congelados normais, não tão bons como os anteriores). Assim, no dia 20 de fevereiro de 2017, fizemos a transferência em um ciclo natural, sem usar qualquer medicação, nem mesmo para preparar o endométrio.

Todavia, em meio à última possibilidade de FIV, não bastando toda a carga emocional depositada no tratamento, me vi meio a um furacão: 3 dias depois da transferência, meu pai faleceu e eu abandonei todos os cuidados indispensáveis daquela fase do tratamento. Eu passei os piores dias da minha vida. Eu perdi um pai e ganhei uma “filha” de 63 anos de idade (minha mãe), que é totalmente dependente e alheia a tudo do mundo. Eu não me alimentei, não cuidei de mim, não tomei os remédios e sabia que mais uma vez não tinha dado certo o tratamento… mas eu pensava: neste momento era o melhor, porque eu precisava resolver todas as questões burocráticas do falecimento, que eram exigidas.

No dia da missa de 7º dia de falecimento do meu pai, era o dia do Beta (foi na quarta-feira de cinzas). Meu marido voltaria para SP neste dia e, apesar de insistir para irmos ao laboratório, no interior tivemos a resposta que o exame demoraria cinco dias para ficar pronto. Então fizemos um teste de farmácia e, sem esperar os 3 minutos, eu o abracei e pedi perdão, porque eu estraguei esse tratamento todo. Meio sem jeito, ele olhava para o teste e me perguntava aonde eu deviria colocar o resultado; eu não tinha percebido: a segunda listrinha estava ali, muito fraquinha!!! Caramba: bem agora? Como é que vou comemorar? Vida x Morte na minha frente? Neste mesmo dia, eu fui à casa da minha avó e começou a chover com sol junto. Abriu um arco íris maravilhoso e muito forte: no meu coração eu senti – depois da tempestade, vem o arco íris, que me mostrou que esse bebê é a mais sublime forma da minha família renascer; do meu coração dilacerado se encher de amor e da minha vida ressurgir.

Fizemos o teste de farmácia só no D14. Em 48 horas, mais que dobrou. Primeira US tudo perfeito; segunda, terceira (chegou 30/março, mas seguimos adiante), quarta, quinta US (estão sendo semanais, diante de todo o meu quadro): bebê mexeu os bracinhos e perninhas. Confesso que, cada vez que vou ao médico, eu tremo por dentro. Hoje, minha vida é e será em função desse bebê que carrego no ventre; seu nome: Íris! Não tinha como ser outro. Estou em repouso, já fiz cirurgia para segurar a Íris em meu ventre, tenho muitas restrições alimentares (por conta de vários problemas gestacionais) e uma gestação de altíssimo rico (trombose).

Eu tenho um IG anônimo (@mulhermoderna.futuramamae), que durante muito tempo foi um diário virtual sobre minha luta para engravidar.

Porque eu estou escrevendo partilhando minha história? Por que eu acredito que minha luta possa servir de inspiração para outras mulheres, que, assim como eu, esperam o milagre em seus ventres.

Dizem que Deus escreve certo, por linhas tortas; hoje vejo que Ele escreve certo por linhas certas.

Acredito no Deus do impossível! Diz o ditado que uma mãe faz de tudo por um filho. Concordo, pois estamos fazendo de tudo pelo nosso, que vai nascer em outubro (quando completaremos 9 anos de casados)!!!

Um grande abraço,

Brisa (mamãe da Íris e esposa do Alessandro) 

Sobre Mulher Moderna - Futura Mamãe

Mulher Moderna - Futura Mamãe
Brisa, advogada, 37 anos, casada, mãe da cachorrinha Pietra, tentante há 9 anos. Portadora de endometriose severa, trombofilia, submetida a 5 FIV's (fertilizações in vitro) e 7 TEC's (transferências de embriões congelados), sofreu 2 abortos. Descobriu a alteração genética dos embriões e está analisando o uso de óvulos doados, num próximo tratamento. Em paralelo, está em trâmite com processo de adoção. **Instagram: @mulhermoderna.futuramamae

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5 comentários

  1. Liara Ferreira

    Linda História! Te sigo no insta e eu já admiro demais. Essa nossa luta, digo nossa, porque eu passo por isso, não é fácil, mas desistir é para os fracos, só os fortes conseguem.
    Deus abençoe essa família!

    Grande beijo.

  2. Belíssimo história de força. Guerreira! Histórias como está ajuda muito. Deus continue abençoando sua família.

  3. Maria Aparecida

    Que historia Linda Brisa! fiquei emocionada com o seu depoimento. Eu amo ser mãe. Sou mae de uma menina de 7 anos, mas sonho em ter outro. Eu imagino a sua dor, porque não me imaginaria sem filhos. Parabéns pela sua coragem e persistência, por não ter desistido e ter lutado ate o fim pela sua filha. Ela vai ser uma chuva de bênçãos na vida de vocês. Desejo do fundo do coração que dee tudo certo.

    • Brisa Maria Folchetti Darcie

      Muito Obrigada pelo carinho, Maria Aparecida! Em poucos dias, nossa filha Íris estará conosco. Bjs

    • Sua história é sem dúvida se arrepiar… Cada vez que leio algo me emociono…. Não podemos perder nunca a fé e a esperança, Deus sabe de tudo, pode demorar mas ele nos recompensará… Sem dúvida sua história e inspiradora pra muitas mulheres que diversas vezes pensou em desistir… Te admiro muito pela sua vontade e fé emmnuca ter desistido e com certeza ao seu esposo por nunca deixar você disistir e sempre te apoiar… Sou sua fã… Que Íris venha com muita saúde e fortaleça ainda mais a união de vocês…. Parabéns pela linda história e por compartilhar com todos….Bjnhos

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