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Seu filho está gaguejando? Saiba como identificar a gagueira e o que fazer

As etapas do desenvolvimento infantil são sempre motivos de alegria. Ao aprender inúmeras palavras, a criança formar frases e manter pequenos diálogos. É comum algumas terem dificuldades específicas nesta fase. Mas isso é um indicativo de que seu filho é gago? É importante que os pais estejam atentos a alguns sinais para identificar a gagueira.

A gagueira consiste na alteração do ritmo da fala, causada por uma dificuldade do cérebro em identificar que o som anterior terminou para enviar o comando da produção do som seguinte. Por exemplo, a repetição da primeira silabas em “eu che-che-cheguei agora”.

Todas as pessoas podem ter seus momentos de disfluência, como quando ocorre no discurso em público, ou ao apresentar uma desculpa à professora por não ter entregado o trabalho escolar. São situações especificas que levam a tal fato, muito diferente de fazê-lo na rotina diária, como ao pedir um hambúrguer na lanchonete.

Na infância, principalmente entre 2 e 4 anos de idade, é comum observamos hesitações e repetições de silabas ou palavras. Isso porque a criança está lidando com um vocabulário novo, ampliado constantemente e, assim como os adultos enfrentam dificuldade em dominar uma segunda língua, ela também enfrenta desafios, pois está iniciando suas ações como comunicadora. Nestes casos, observamos a chamada gagueira do desenvolvimento.

Gagueira do desenvolvimento (crianças de 2 a 4 anos), o que fazer?

Quando este processo natural da criança de repetir sílabas ou palavras persiste, mesmo havendo o adequado desenvolvimento infantil, ou quando ocorrem em uma frequência muito grande os mesmos passam a ser sinais preocupantes. Nestes casos, não espere muito! Se a gagueira persiste por mais de três meses, busque ajuda especializada.

O fonoaudiólogo é o profissional habilitado para este tipo de tratamento. O mesmo avaliará e definirá que tipo de gagueira a criança apresenta, bem como o tratamento indicado. Antigamente era comum a orientação para iniciar o tratamento após o crescimento da criança. Atualmente estudos apontam para os bons resultados a partir da intervenção precoce.

Mudanças simples que podem ajudar

Na maioria das vezes, o ambiente familiar não é favorável à fluência da criança. Desta forma, especialistas na área reforçam a importância da criação de ações facilitadoras à fluência da fala, tais como as descritas abaixo:

1. Dê atenção à criança enquanto ela fala.

Falar competindo pela a atenção dos pais com o irmão, a televisão, ou a panela no fogo desconcentra qualquer um, principalmente a criança que está iniciando sua ação ativa nos diálogos. Portanto, é muito importante que ela perceba que é importante e que não precisa ter pressa para falar. Quando ela gaguejar, simplesmente transmita-lhe segurança e mostre a ela que você lhe aguardará. Evite pedir que fique calma, que respire, que fale mais devagar, pois isto só lhe causará mais pressão e desconforto.

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2. Exemplo vem de casa.

Não adianta insistir que a criança fale mais devagar se o modelo que ela tem da família é o oposto. É preciso que todos deem o exemplo do “bom falante”, desta forma permite que ela entenda (a partir do modelo) o que lhe é solicitado.

3. Evite o excesso de perguntas.

As perguntas na conversa são estimulantes, mas em excesso bloqueiam o ritmo natural do pensamento da criança. Substitua as perguntas por pequenos comentários, isso estimula e descontrai a conversa.

4. Família e escola em sintonia.

É importante que todos que se relacionam com a criança tenham conhecimento de suas dificuldades e, principalmente, das estratégias que a auxiliam a supera-las. Desta forma, converse com familiares próximos e profissionais da escola, orientando-os como poderão ajudar nesta fase da criança.

 

Deixo a sugestão de uma cartilha de orientações aos professores de crianças com gagueira, elaborado pelos profissionais do instituto Brasileiro de Fluência. Apesar de destinado aos professores, trás muitas informações também aos familiares.

Clique no link para visualizar a cartilha em PDF: http://www.gagueira.org.br/arquivos/livreto_para_professores.pdf

Boa leitura!

 

Abraços.

Sobre Dra. Daniela Barbosa

Dra. Daniela Barbosa (CRFa. 15230-2) é fonoaudióloga, mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Motricidade Orofacial pela USP. Professora do Curso de Fonoaudiologia da Unopar. Faz parte da equipe de As Fissuradas, no Facebook, onde mantém um diálogo aberto com as mães. Atua em consultório particular e também em centro especializado em malformações craniofaciais.

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