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Maternidade entre extremos

Uma das motivações que me levaram a começar a escrever estes textos foi a sensação de estar meio fora de sintonia com a forma como a maternidade é retratada em diversos meios, como a internet e a televisão, e mesmo em conversas comuns do dia-a-dia. De um lado, existem aquelas pessoas que fazem tudo parecer perfeito, postam fotos fantásticas no Facebook, transbordam de felicidade e satisfação… De outro lado, existem aquelas que reclamam de tudo, de como as crianças dão trabalho, como estão esgotadas…

Nesses primeiros dois anos do Lucas, não consegui me encaixar em nenhuma dessas duas vertentes. Sim, há momentos fantásticos, alguns sublimes até, quando me sinto completamente realizada e penso que seria impossível passar por este mundo sem viver a experiência da maternidade, mas há também os momentos cotidianos de levar para a escola, dar banho e jantar, assistir 1 hora de Peppa Pig sem intervalos no YouTube… E há os momentos difíceis, como fazer malabarismos como esposa, do lar, profissional, mulher e mãe. Quando leio dicas em revistas ou na internet até parece fácil, mas quando já são nove da noite de domingo, preciso colocar o Lucas pra dormir, arrumar meu material para trabalhar no dia seguinte, passar o creme anti-idade e anticelulite, fazer a lista do mercado e trocar uma ideia com meu marido, parece bem mais complicado.

Dia desses, vi uma foto na internet da Gisele Bündchen fazendo Yoga junto com a filhinha. Pensei: “Vou tentar, o Lucas fica assistindo Peppa Pig, eu coloco meu tapetinho na sala e faço pelo menos alguns ásanas”. Foi interessante… Ganhei da Peppa Pig em termos de interesse do meu filho, mas não consegui passar do alongamento inicial com ele subindo em cima, me abraçando e querendo rolar no chão… Deixei o Yoga pra lá e fui brincar com ele…

mae e filha (570x380)               Entre a perfeição e o sofrimento extremo, optei por uma atitude mais relax, com menos cobranças e mais risos. Entendi que é preciso abrir mão de muitas coisas, principalmente da visão que tinha de mim mesma, para aceitar o que a vida tem a me oferecer. Entendi que é preciso abandonar a ideia de que se tem o controle de tudo e também que as realizações dependem unicamente da minha força de vontade. Gosto de enxergar a maternidade como um caminho para o autoconhecimento, como oportunidade para o crescimento pessoal. Esse caminho, no entanto, exige coragem para encarar o lado obscuro de nós mesmos e também coragem para aceitar nosso lado luminoso.

Em meu consultório, nas primeiras consultas de um bebê recém-nascido com sua família, há muitas dúvidas sobre amamentação, cuidados em geral, preocupação com o ganho de peso…  Quando a apreensão inicial começa a se dissipar, sempre lembro à mãe que é preciso aproveitar aquele momento, abraçar e acariciar o bebê, sentir seu cheirinho, ouvir sua respiração suave… O bebê vai crescendo e quando chega a hora de iniciar as papinhas, faço as orientações e encerro a consulta dizendo:” agora, você vai pra casa se divertir com seu bebê e as papinhas”, porque é mesmo para ser divertido! Não é para se preocupar se seu bebê não gosta de mamão e o filho da sua vizinha gosta tanto que ela até plantou um pé de mamão no quintal…

Se conselho fosse bom… Mas aí vai meu conselho: viva a maternidade com tranquilidade. Fuja da perfeição, pois este é um fardo muito pesado para carregar a vida toda. Não concentre suas forças naquilo que é negativo ou difícil de realizar e, principalmente, naquilo que você não pode modificar. Deixe a vida fluir um pouco, talvez a solução venha até você da forma mais inesperada. Seja real, consciente das suas atitudes e verdadeira com seus sentimentos.

Sobre Dra. Patricia Carrenho Ruiz

Patricia Carrenho Ruiz, médica pediatra e neonatologista. CRM 113719. Mãe do Lucas, nascido em janeiro de 2012, atualmente, se dedica a ser uma boa mãe pediatra e também uma boa pediatra mãe, refletindo sobre aspectos técnicos, mas também humanísticos dos cuidados com as crianças. Consultório em São José dos Campos. Contato (12) 3922-0331

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