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Meu filho tem sopro no coração. E agora?

A principal causa de procura ao consultório do cardiologista pediátrico é, sem dúvida nenhuma o “Sopro no Coração”. É extremamente comum na prática clínica e tira o sono, não só dos pais, como dos avós, tios e todos que se preocupam com a criança. A intenção desse artigo é tentar desmistificar um pouco essa entidade e tentar entender seu real significado.

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O que é o sopro no coração?

A primeira coisa que temos que ter em mente ao falar de sopro é que ele não é uma doença. O sopro é um sinal percebido na consulta médica, durante a ausculta cardíaca. É um ruído, um achado clínico, como, por exemplo, uma febre que o pediatra percebe durante o exame e precisa avaliar sua causa.

Sabendo disso vem à pergunta:

Mas porque aparece o sopro?

É nesse momento que entra a figura do cardiologista pediátrico. Todo sopro auscultado deve ser avaliado por um especialista para que se faça o correto diagnóstico de sua causa.

Os pais que tem filhos com sopro ficam extremamente ansiosos e preocupados, o que é plenamente justificável. No entanto é importante saber que a grande maioria dos sopros aparece no coração normal, sem cardiopatia, e outra boa parte é de causas simples e não limitam a vida da criança, sendo necessário apenas o seguimento e controle regular. Uma minoria dos sopros é causada por doenças que necessitam de intervenção e, mesmo nessas, somente uma pequena parcela é limitante. Por esses motivos é preciso que fique claro que o diagnóstico de uma doença, por mais grave que ela seja, não é um atestado de invalidez, pois mesmo nas cardiopatias mais complexas há tratamentos que permitem uma vida produtiva ao ser portador.

Ao avaliar o paciente com sopro temos que ter em mente a idade com a qual ele foi percebido. Apesar de não haver uma regra os sopros audíveis na idade escolar e na adolescência assintomática são sopros sem causas graves ou mesmos sem causas nenhuma, os chamados sopros inocentes. Já os sopros audíveis nos recém-nascidos e nos lactentes devem ser avaliados com maior critério, uma vez que a maioria das cardiopatias na faixa etária pediátrica é de causas congênitas, ou seja, aparece desde a vida intrauterina. O que não quer dizer que não exista sopro inocente no recém-nascido ou cardiopatia no adolescente.

Há também os sopros que são resultados de doenças sistêmicas que, dentre as várias complicações podem afetar o coração, levando a alterações tanto na sua estrutura quanto na sua função. Nesses casos a história clínica cuidadosa e os sintomas associados são fundamentais para elucidação diagnóstica.

Além desses há doenças que, apesar de não promovem alterações estruturais no coração, podem, durante sua evolução, apresentam a ausculta de sopro como consequência de alterações metabólicas e hemodinâmicas que ocorrem nessas afecções.

A importância do cardiologista pediátrico para o diagnóstico

O cardiologista pediátrico é treinado para diferenciar esses diversos tipos de sopro, através da história clínica e familiar, do exame físico geral, da ausculta e de exames complementares simples como o eletrocardiograma e a radiografia de tórax. Na primeira consulta já é possível ter uma ideia muito próxima da causa do sopro, e principalmente da sua gravidade, assim ao sair do consultório a família já começa a visualizar seu real significado e aos poucos vão se rompendo os estigmas que esse sinal carrega. Sabendo o que esperar partimos para o diagnóstico de certeza, do motivo real da presença desse ruído. Nessa fase é de importância fundamental o Ecocardiograma com Mapeamento de Fluxo a Cores.

O que é o ecocardiograma?

O ecocardiograma é o exame padrão para o diagnóstico de certeza da causa do sopro. Trata-se de um exame não invasivo que não requer nenhum preparo por parte da criança. Consiste de uma ultrassonografia do coração onde é possível avaliar a anatomia, a função e o aspecto dinâmico das válvulas e do músculo cardíaco. Esse exame deve ser realizado pelo ecocardiografista pediátrico uma vez que as cardiopatias da criança são diferentes das doenças dos adultos. Geralmente o consultório do seu cardiologista realiza esse exame.

Meu filho tem sopro no coração, e agora?

Feito o ecocardiograma teremos a última peça do quebra cabeça e fecharemos o diagnóstico. Nessa hora é o momento pra fazer todas as perguntas e tirar suas dúvidas, entender as opções de tratamento e assim ter tranquilidade, segurança e confiança para o seguimento do seu filho.

Resumindo, o sopro é uma situação corriqueira na prática clínica, sendo sempre necessária sua avaliação, pelo especialista, para o correto diagnóstico. Mesmo existindo doenças graves que são responsáveis pelo seu aparecimento a maior parte dos sopros tem causas simples que não requerem intervenções. Hoje as cardiopatias são muito bem conhecidas e com a evolução da cardiologia pediátrica, do ecocardiograma e de outros exames complementares, além dos tratamentos cada fez mais seguros e eficazes as crianças cardiopatas tem um horizonte de muitas realizações pela frente.

Sobre Dr. Claudio da Silva Miragaia

Dr. Claudio da Silva Miragaia - CRM: 99141; Cardiologista Pediátrico formado no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Título de especialista e área de atuação reconhecido pela AMB/SBP/SBC. Pai da Júlia (6 anos) e do Vinícius (4 anos), atende em consultório próprio na cidade de São José dos Campos – SP / e-mail: claudio@almanaquedospais.com.br

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5 comentários

  1. Olá Doutor eu tenho dois filhos um de 11 anos e uma de 5 e o médico disse q eles tem sopro e eu gostaria de saber se existe tratamento ou remédios que tire esse sopro ou não ainda não tem .Obs:eles são assim desde logo depois do nascimento desde ja obrigada e ansiosa pela resposta

  2. Esse artigo me ajudou muito e principalmente me levou ao dr. Cláudio, excelente médico. Super atencioso e muito competente. Me deixou super tranquila, explicou tudo sobre o sopro no coração, além de ser muito calmo e atencioso com a minha bebê.
    A esposa dele, Luciana Miragaia, fez os exames, também super recomendo, muito atenciosa.

    Esse artigo foi importantíssimo na minha vida, Agradeço.

  3. Karen Manuela

    Olá, doutor! A pediatra da minha filha de três anos está suspeitando um sopro no coração dela, eu marquei uma consulta com o cardiologista mesmo assim estou muito preocupada, será que é grave?

  4. Roberta Vassian

    Olá Doutor
    Tenho um bebê de11 meses e ele tem estenose pulmonar moderada, faz acompanhamento para ver quando irá precisar fazer procedimento para corrigir por enquanto não apresenta nenhum sintoma é acima da média de peso e altura, não tem falta de ar e na última eco tinha diminuído um pouquinho o grau da estenose. Será que pode acontecer de ele nunca precisar fazer? Ele corre algum risco?
    Desde já muito obrigada pela atenção.
    Roberta

    • Claudio Miragaia

      Olá Roberta, a Estenose Pulmonar é uma doença onde as complicações acontecem lentamente com a evolução e crescimento da criança. É importante, para prevenir essas complicações, corrigir as estenoses pulmonares com gradientes maiores de 50 mmHg. Nesses casos a época da correção será determinada pela repercussão que essa estenose está ocasionando ao coração.
      Quando o gradiente é menor que 50 mmHg as estenoses pulmonares não costumam complicar e nesse caso pode ser que não seja necessário nenhum procedimento para correção.
      O importante é manter o seguimento com o cardiologista pediátrico, pois ele é treinado para notar essas repercussões antes de haver algum risco para seu bebê. Abraços, Claudio.

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