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Fissuras Labiopalatinas – o conhecimento é o melhor tratamento

Parte I – Antes do nascimento

A gestação de um bebê é um momento único. À cada semana, o amor cresce e cria forma. Sabemos que as primeiras 12 semanas de gestação são muito importantes na formação do feto. A formação do dos ossos, sua junção, bem como das estruturas da cabeça ocorre neste período. Qualquer alteração neste majestoso processo pode levar à algum tipo de malformação craniofacial, sendo a fissura labiopalatina (popularmente conhecida como lábio leporino) a mais comum. O objetivo deste post é esclarecer sobre esta alteração que acomete 1 em cada 650 brasileirinhos nascidos, pois acredito que o conhecimento, a informação sobre qualquer questão de saúde amplia o horizonte e dá o norte necessário para a família buscar o melhor tratamento para o bebê.

Foto: Luiza Pannunzio
Foto: Luiza Pannunzio

A fissura consiste na ausência de fusão entre os ossos e músculos dos lábios e palato (popularmente conhecido como céu da boca), mantendo uma abertura entre a boca e o nariz e são classificadas em:

  • Fissura de lábio: quando compromete somente o músculo do lábio superior (forma mais branda) ou lábio + gengiva. Pode ocorrer em direção à uma ou às duas narinas.
  • Fissura de palato: quando todo o céu da boca ou só  lá no fundo, perto da “campainha” (úvula) permanece aberto.
  • Fissura de lábio e palato: quando as duas estruturas, lábio e palato, estão comprometidas.

fissura-labiopalatina

O que eu devo fazer para evitar que meu bebê nasça com fissura labiopalatina?

Os cientistas de todo o mundo investigam as causas das fissuras labiopalatinas, mas ainda não encontraram uma resposta para esta pergunta. Entretanto, já temos conhecimento sobre os principais fatores que aumentam as chances do bebê nascer com a fissura labiopalatina:

  •  Ambientais: fumar, ingerir bebida alcoólica, tomar medicamentos como anticonvulsivantes durante as primeiras semanas de gestação.
  •  Genéticos: histórico de outros membros da família com fissura trazem maior chances, se comparado à outra família sem nenhum caso anterior. Se na sua família há outros membros com fissura, você pode procurar um serviço de genética para que estes profissionais lhe orientem.

O Centro de Estudos do Genoma Humano da USP conta com um importante grupo de estudiosos das fissuras labiopalatinas que divulgou este vídeo para auxiliar no esclarecimento sobre as fissuras e suas causas. Vale a pena conferir!

 

Como sei se meu bebê vai nascer com fissura labiopalatina?

Com o avanço da medicina, o exame de ultrassonografia possibilita o diagnóstico da fissura a partir da 14a semana de gestação, sendo o confirmado somente após o nascimento do bebê. Entretanto, ainda é muito comum mães que realizaram o acompanhamento pré-natal adequadamente e mesmo assim só souberam da fissura na maternidade.

 

Meu bebê vai nascer com fissura, o que fazer?

Saber que o seu bebê não nascerá da forma como havia sonhado causa muita tristeza. E isso é normal … e passageiro! Depois do choque, vem uma força e um amor maior ainda, que impulsiona para a escolha dos próximos passos.

O Brasil tem ótimos hospital e profissionais especializados no tratamento das fissuras labiopalatinas, a maioria gratuito. Conhecê-los é uma boa opção para tirar muitas da dúvidas e incertezas.

asfissuradas

Uma outra forma de encontrar apoio é conversar com outras mamães que passaram por experiências semelhantes. Recomendo conhecer no Facebook, a página As Fissuradas (www.facebook.com/fissuraseafins), uma rede de apoio que reúne famílias do Brasil e do mundo. Em comum, a fissura labiopalatina. Lá, promovemos a solidariedade entre os participantes, e principalmente, promovemos a fissura, pois acreditamos que o conhecimento é o primeiro passo para o tratamento das fissuras labiopalatinas.

 

No próximo post, conheceremos os principais desafios e conquistas do bebê com fissura (mamar, falar, …), e também sobre as opções de tratamento.

Abraços,

Sobre Dra. Daniela Barbosa

Dra. Daniela Barbosa (CRFa. 15230-2) é fonoaudióloga, mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Motricidade Orofacial pela USP. Professora do Curso de Fonoaudiologia da Unopar. Faz parte da equipe de As Fissuradas, no Facebook, onde mantém um diálogo aberto com as mães. Atua em consultório particular e também em centro especializado em malformações craniofaciais.

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Um comentário

  1. Gostei muito das informacoes

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