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Acidentes na infância: prevenir é muito melhor que remediar

Caros Leitores, nesta época mais fria os resfriados e a  tosse aumentam e com eles o medo de pneumonia , sem dizer que ainda estamos enfrentando a dengue. Sempre que nossos filhos começam a vomitar ou a ter manchas no corpo, nós nos preocupamos muito e levamos ao pediatra imediatamente, mas nem sempre nos atentamos para algo muito mais letal. Pois bem, esse artigo vem para resgatar algo que fica meio esquecido por nós e que, pasmem, mata muito mais que qualquer outra doença:

OS ACIDENTES NA INFÂNCIA

acidentes na infancia

A maioria das pessoas desconhece, mas a maior causa de morte ou de sequelas graves em crianças acima de 6 meses de vida é o que chamamos de causas externas, ou traumas ou, no popular, acidentes.

É ISSO MESMO, as estatísticas mostram que, após os 6 meses de idade até a vida adulta, a principal causa de morte e de sequelas graves são os acidentes. E mais, a maioria dos acidentes ocorrem em dentro ou perto de casa.

Claro que nas diferentes idades as crianças estão sujeitas a diferentes tipos de acidentes, como por exemplo os bebês, eles podem por algo na boca e engasgar ou ingerir substâncias tóxicas como produtos de limpeza. Não é incomum que uma criança mais velha coloque algo na boca da mais nova, infelizmente sem saber do risco. A partir dos 4 meses as crianças começam a rolar e com isso o perigo de quedas aumenta. Quando começam a engatinhar e andar, então nem se fala, esse risco aumenta muito.

A partir dos 5-6 anos as crianças adquirem muitas habilidades físicas como andar de bicicleta, subir em árvores e brinquedos, já sabem destrancar portas e portões, assim o risco de atropelamentos aumenta. Além disso, os acidentes de trânsito são mais graves nas crianças, cujos ossos são mais frágeis que os adultos, assim um trauma que pode ser leve para um adulto, pode ser grave para uma criança.

Na adolescência, os jovens se arriscam mais, em brincadeiras, competições ou no trânsito. As vezes brincam com as armas de fogo que os pais tem em casa. Como andam praticamente sem a companhia dos pais, também se tornam alvo de assaltos.

Muito bem, diante de todo esse quadro, vale dizer que a vasta maioria dos acidentes poderiam ser evitados se tomássemos medidas simples. Por exemplo colocar grades nas camas, não deixar crianças em cima da cama dos pais, colocar telas de proteção nas janelas, colocar proteção nas escadas em baixo e em cima, protetor de tomadas, trancar produtos de limpeza, não deixar baldes cheios de água, não deixar a criança sentada na banheirinha com água, proteção para piscinas.

No trânsito as leis são bem claras, temos de usar as cadeiras especiais, mesmo em trajetos pequenos. Mesmo que a criança esteja em nosso colo, não dá tempo e nem temos força para segurá-la em caso de colisão ou capotamento.

Eu já trabalhei em serviço de emergência de alta complexidade, para onde os acidentes mais graves envolvendo crianças eram levados e posso dizer que, além do sofrimento das crianças, o peso na consciência dos pais é imensurável.

    SOLUÇÃO: PREVENÇÃO

Sempre que você estiver com seu filho, analise os riscos que o ambiente e as pessoas oferecem, fique atento, tome medidas preventivas como fechar uma janela, trancar uma porta, evitar subir em uma escada. Em situações mais arriscadas como atravessar uma avenida, segure firme na mão da criança ou pegue no colo. Ao andar pela calçada se coloque sempre entre a criança e a rua. Enfim, tente imaginar todos os risco e tome atitudes para minimizá-los.

Claro que apesar de todos os cuidados, temos também de deixar nossos filhos se divertir, se exercitar, porém se pudermos fazer isso com segurança é bem melhor.

Sobre Dr. Marcelo Amaral Ruiz

Endocrinologista Pediátrico. PhD em Saúde da criança e do Adolescente pela USP. CRM-SP: 113266 e Registro de Especialista no CRM-SP 238842. Atualmente trabalha em consultório próprio em São José dos Campos. Contato: (12) 3922-0331

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