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Banheiro para Família ou para mães?

Eu acho que é preciso reforçar uma problemática que eu e outros pais enfrentam.
Não que todo pai precise passar por problemas de acesso ao filho, brigas judiciais ou coisa parecida para ter problemas em exercer sua paternidade.
Pais casados, pais viúvos, pais em relação amigável com suas ex-esposas ou que respeitem decisões judiciais…, esses também tem muitos problemas em praticar socialmente sua paternidade.

Como assim?
Eu me deparei com um problema que eu não enfrento, pois sou pai de menino, mas já haviam me relatado e quando percebi, estava eu em situação similar dessas em um shopping.
Um pai, conhecido meu, tem uma menina, e se dizia muito incomodado em sair sozinho com sua filha, pois não tinha “espaço” para levar ela no banheiro quando esta ou ele necessitavam, pois: como levar uma menina num banheiro masculino, onde ele pode entrar ou como ele entrar em um banheiro feminino para levar a mocinha?
Ele me disse que por vezes, pediu ajuda a mulheres na porta do banheiro para levarem a filha dele para ela se aliviar, já que ele não iria entrar no banheiro masculino com sua filha pequena e ver um monte de sujeito em pé, na frente de um mictório, com o negócio balançando quando terminasse o serviço.

Eu tive uma pequena noção dessa “exclusão social paterna” uma vez, com meu filho ainda pequeno. Fui num sanitário dito “familiar” do shopping. Ele ainda usava fraldas e por isso, tive que ir trocá-lo e aproveitei para me aliviar também. O banheiro parecia um pequeno paraíso para pais/mães: bancadas com colchonetes impermeáveis, pia grande ao lado (dava para dar banho em um bebê tranquilamente), lixeira para fraldas e afins embaixo da bancada, chuveirinho, papel toalha, álcool esterilizante e umas cabines com privadas.
Pensei: terminei com ele, o coloco no carrinho (também cedido pelo shopping) e aproveito e faço o meu numa casinha dessas. Simples não é?!
Eu fiquei conversando com ele enquanto estava na casinha, até para saber que ele não tinha picado a mula enquanto eu estava distraído. Quando terminei, sai da cabine e dei de cara com uma mulher, adulta, me olhando com um ar de surpresa, enquanto eu fechava a braguilha. Acho que ela entrou um pouco antes de eu sair da cabine e se espantou com a minha presença, chegando a insinuar um passo para trás.

Foi uma sensação muito estranha.
Ela me olhou com ar de quem diz: o que é que você está fazendo aqui?
Eu tratei de “chamar” meu filho, que ainda estava no carrinho (quase um milagre ele ter ficado quieto), para mostrar que eu tinha motivos para estar ali. Ela meio que me esperou sair do banheiro e assim fiz. Peguei meu filho e sai de fininho.

Não fiz nada de errado. Não fiz nada constrangedor para ninguém, mas acho que a mulher reagiu com um pensamento comum na nossa sociedade, algo como: “o que é que esse homem está fazendo num banheiro familiar? Será que é uma espécie de tarado, de desavisado, entrou no banheiro errado? Ah, ele está com o menino, deve ser o pai dele.”

Será que estou exagerando? Pode até ser, mas acho que nossa sociedade é tão acostumada com a ideia de que só mãe é quem resolve determinados tipos de assuntos, que se espanta com a visão de um pai “independente” com seu filho.

Não é nada demais, mas já vi também placas de shopping com indicação de banheiro masculino (com um desenho de uma figura masculina), banheiro feminino (com uma figura feminina) e banheiro familiar (com uma figura feminina com um bebê no colo). Isso quer dizer que um homem com um bebê não pode entrar nesse banheiro? Aposto que não há essa proibição, mas aposto que alguém vai estranhar e não vai se tocar que mesmo que a maioria desses tipos de banheiros seja frequentada por mulheres, é aberto a pais também.

(Na foto abaixo, um dos poucos exemplos que vi de banheiro sinalizado para toda a família)
banheiro-familiarComecemos mudando essas pequenas visões, além de facilitar o acesso de pais a seus filhos, e talvez venhamos a construir uma sociedade mais equilibrada, com homens e mulheres tendo acesso ao melhor para seus filhos, pois a discussão é sempre eles.

Mesmo que eu lute pela valorização da paternidade, no fundo eu luto mesmo é pelo direito da criança em ter a presença do pai e inclusive, poder ir ao banheiro com a ajuda dele.
=]

Sobre Lizandro Crus Chagas

Acima de ser um professor, de ser carioca, de ser suburbano, de ser flamenguista, de ser solteiro, de ser geógrafo... eu sou pai. Pai do garoto mais lindo do mundo (qual pai que não mente sobre seu filho?), e também sou pai de um monstro peludo de 40 kg, um labrador chamado Guimba. Professor de Geografia a mais de uma década para os mais variados segmentos, carioca convicto, Flamengo de coração... E é isso. Sou o Pai Solteiro =]

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