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A importância de saber a fonte daquilo que se lê

Como advogada, desenvolvi, ao longo de minha carreira, um senso de questionamento muito aguçado. Quando fiz minha Pós-Graduação, em Neurociências e Psicologia Aplicada, aprendi que cientistas nunca acreditam em nada que não tenha sido estudado, comprovado e que não tenha a sua fonte de referência (que por sua vez, deve ser citada, em seus mínimos detalhes, para que o leitor possa conferi-la, se necessário for). Ao citar uma fonte ou referência daquilo que estamos falando, estaremos mostrando onde buscamos as informações para elaborar nosso trabalho (artigo ou texto) e também porque permite que as pessoas que o estiverem lendo possam aumentar seus conhecimentos procurando essas mesmas fontes.

Questionamento aliado à busca pelo refenciamento daquilo que se lê, me fizeram uma pessoa mais cética, mas também mais informada. Simplesmente, não acredito mais em tudo o que me falam, até eu ter, pelo menos, fontes mais confiáveis (de preferência apoiada na ciência) daquilo que me gerou dúvida. E por que estou falando sobre isso com vocês, leitores, neste post, hoje?

Porque participo de vários grupos de discussões no Facebook e eu mesma sou proprietária de 2 deles. Nos meus grupos no Facebook (Mãe de Crianças Superdotadashttps://www.facebook.com/groups/213399982041957/ e Asperger (TEA) e Superdotaçãohttps://www.facebook.com/groups/1579068685680488/) eu sempre tomo o cuidado de referenciar tudo que estou explicando, de preferência, mencionando autores e pesquisadores que partilham do entendimento que estou repassando ao grupo. Mas, tenho notado que, em alguns grupos de Facebook destinado a mães, este mesmo cuidado não tem sido tomado e eu acho muito preocupante, quando uma mãe sem o conhecimento necessário do assunto em questão, busca ajuda sobre questões extremamente delicadas e que deveriam ser respondidas por médicos, psicólogos ou educadores, tais como: “Que remédio devo dar para o meu filho de 5 meses que ainda é amamentado e que está com tosse? “. Ou então, “ O que vocês acham que o meu filho tem no rosto (e postam a foto do rostinho todo com brotoejas)? ” Ou ainda “O que acham da cama compartilhada? “. E daí chovem os comentários de mães em todos os sentidos e, em geral, as respostas são dadas ao arrepio da medicina, da ciência e da psicologia, respostas estas que induzem a mãe que pediu ajuda a tomar uma decisão sem o devido embasamento profissional ou sem o respaldo técnico ou da ciência.

O pior de tudo é, quando para justificar seus argumentos, as mães postam artigos que encontram em blogs ou sites escritos por mães que não possuem nenhuma formação técnica da área que estão opinando. Por exemplo: A mãe diz que costuma dar mel para o seu filho bebê de 5 meses, que é amamentado, e posta um artigo qualquer sobre os benefícios do mel para as pessoas (mas, ela não sabe que mel pode causar botulismo e é extremamente perigoso para crianças menores de uma determinada idade? Não! Porque o artigo trazido para o post, não fala disso.). Ou então, um caso clássico que, vira e mexe entra nas discussões dos grupos de mães: “Cama compartilhada é bom para a criança? ”. E lá chovem mães que defendem e as mães que são contrárias ao uso da cama compartilhada. As que são a favor, trazem artigos desprovidos de embasamento teórico ou científico assinados por mães que fazem uso da cama compartilhada e descrevem suas experiências extra-sensoriais para convencer o seu uso, como se fossem donas da mais absoluta verdade. As que são contra, encontram artigos de psicanalistas que evocam Freud e seus complexos de Édipo (se bem que, eu sou mais seguir a linha Freudiana a ficar com a blogueira desconhecida, cuja profissão ignoro..rs..). Mas, o que mais me incomoda nesses grupos de discussão é o tamanho da responsabilidade que os participantes do grupo carregam através de suas opiniões e da qual não têm o menor conhecimento de suas consequências!

a fonte daquilo que se lê

Fico muito preocupada, quando uma mãe sem conhecimento técnico sobre determinado assunto, pede dicas de remédio num grupo e, em seguida, chovem respostas para que a mãe ofereça para o seu filho tal e tal medicamento. Isso deveria ser proibido pelas regras do Facebook! E se acontecer alguma coisa com a criança automedicada pela sua mãe, aconselhada por outra mãe leiga do grupo que ela faz parte ? E o médico… Ele existe para quê, afinal de contas? Estariam os grupos de discussão das redes sociais ocupando um lugar outrora importante, em nossa sociedade e que pertenciam aos médicos, psicólogos e cientistas, pessoas que dedicaram anos de estudos e de prática para poder orientar de forma mais adequada seus pacientes, clientes ou leitores? Ao menos, que as respostas dadas fossem orientadas pela ciência, pela pesquisa, e, de preferência, que fossem referenciadas, para que a mãe leiga em busca de informações, expusesse menos seu filho ao perigo, quando resolver seguir os conselhos das conselheiras de plantão dos grupos das redes sociais ao invés do médico, do psicólogo ou do profissional competente. Trago aqui uma importante reflexão a ser feita e gostaria de saber a opinião de vocês, leitores.

Sobre Claudia Hakim

Advogada Especializada em Direito de Educação e Especialista em Neurociência e Psicologia Aplicada Autora do Blog e grupo no Facebook voltado para a Educação de Crianças Superdotadas : “Mãe de Crianças Superdotadas : www.maedecriancassuperdotadas.blogspot.com Membro Fundadora do Instituto Brasileiro de Superdotação e Alterações do Neurodesenvolvimento (IBSDND) Contato : claudiahakim@uol.com.br/ Fone : (11) 35113853

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2 comentários

  1. Tayane Fernanda Medeiros

    Cláudia, sua preocupação é algo que trago comigo desde a época do Orkut. Em todos os grupos de mães que já participei, sempre questionava estas atitudes e só ganhava fama de resmungona, cabeça fechada, etc. Até que me desliguei de vários grupos sobre maternidade. Quando vejo algo que sei que é errado no Facebook, eu denuncio a postagem. São pessoas induzindo ao erro, vendendo remédios, cada coisa de deixar o cabelo em pé.

    • Tayane,

      Acho correta a sua atitude de denúncia, mas, infelizmente, raramente o Facebook toma alguma providência a respeito de nossas denúncias. Eu fico tão chateada e chocada, quando leio algo do gênero, que acabo não lendo mais nada sobre o grupo, ou até mesmo me desligando. Pena que existam tantas pessoas sem esta “consciência social”.. Gostaria que isso fosse mudado, em breve. Obrigada por compartilhar do meu entendimento.

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