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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) caracteriza-se por uma tríade consistente nos seguintes sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade. As crianças com TDAH são facilmente reconhecidas em clínicas, escolas e em casa, e seu critério diagnóstico é fundamentalmente clínico. O DSM-V, Manual de Psiquiatria, subdivide o TDAH em três tipos de apresentações:

a) TDAH com predomínio de sintomas de desatenção;
b) TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade;
c) TDAH combinado.

Foto: Jose Luis Pelaez
Foto: Jose Luis Pelaez

O tipo com apresentação de sintomas de desatenção é encontrado com mais frequência no sexo feminino e parece apresentar, conjuntamente com o tipo de apresentação combinada, uma taxa mais elevada de prejuízo acadêmico.

Crianças com TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade, por outro lado, podem se apresentar mais agressivas e impulsivas, quando comparadas àquelas com que os outros dois tipos, e tendem a apresentar altas taxas de impopularidade e de rejeição pelos colegas.

A base do diagnóstico está formada predominantemente pela história, observação do comportamento atual do paciente e relato de pais e professores sobre o comportamento da criança, nos diversos ambientes que ela frequenta.

Apesar de estas crianças (com TDAH) conseguirem controlar os sintomas com esforço voluntário, ou em atividades de grande interesse, muitas vezes, conseguem passar horas na frente do computador ou videogame, ainda assim, não mais do que alguns minutos na frente de um livro em sala de aula ou em casa.

Como “critérios diagnósticos”, o DSM-V considera que devem estar presentes seis ou mais sintomas de desatenção e/ou hiperatividade, com duração mínima de seis meses, início antes dos 12 anos de idade, em dois contextos diferentes, enfatizando o significativo prejuízo acadêmico, social e ocupacional.

Avaliações complementares se fazem necessárias, tanto auditivas, quanto visuais, já que déficits nessas funções sensoriais podem acarretar importantes dificuldades atencionais e também a hiperatividade. A avaliação neurológica é relevante para a exclusão de patologias neurológicas que possam mimetizar o TDAH e, muitas vezes, é valiosa como reforço para o diagnóstico. Como avaliação complementar, sugere-se a testagem neuropsicológica cognitiva, assim como exames de neuroimagem (tomografia, ressonância magnética, ou SPECT cerebral), também devem fazer parte do ambiente de pesquisa, e não do clínico.

Pesquisas comprovam que, ao longo do desenvolvimento, o TDAH está associado à elevação no risco de baixo e pior desempenho escolar (tempo menor de estudo, estudos incompletos, necessidade de reforço, repetências, advertências, suspensões e expulsões), relações difíceis com familiares e colegas, desenvolvimento de ansiedade, depressão, baixa autoestima, problemas de conduta e delinquência, experimentação e abuso de drogas precoces, acidentes de carro e multas por excesso de velocidade, assim como dificuldades de relacionamento na vida adulta, no casamento e no trabalho, podendo, ainda, parte dessa evolução estar associada à presença da comorbidades, tal como com transtorno de conduta, e não só ao TDAH.

Alunos com TDAH têm direito a atendimento educacional especializado.

Sobre Claudia Hakim

Advogada Especializada em Direito de Educação e Especialista em Neurociência e Psicologia Aplicada Autora do Blog e grupo no Facebook voltado para a Educação de Crianças Superdotadas : “Mãe de Crianças Superdotadas : www.maedecriancassuperdotadas.blogspot.com Membro Fundadora do Instituto Brasileiro de Superdotação e Alterações do Neurodesenvolvimento (IBSDND) Contato : claudiahakim@uol.com.br/ Fone : (11) 35113853

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2 comentários

  1. Elaina,

    Só não entendi quantos anos a sua filha tem. Entendi que ela está no ensino médio, mas acredito que ela não tenha 9 anos. De toda forma, respondendo à sua pergunta, o laudo não precisa ser atualizado. Uma vez com TDAH, sempre TDAH. Não sei porque as escolas acham que este é um transtorno que vai embora. O que pode minimizar e reduzir muito com as terapias (do tipo comportamental) e medicamentosa são os sintomas e prejuizos, que durante a escolaridade podem ser intensos e frequentes e passarem a ser menos intensos e menos frequentes, o que possibilita que o portador tenha mais qualidade de vida e melhor desempenho acaêmico. Caso a escola continue negando os direitos de um atendimento educacional especializado à sua filha, sugiro que procure o Ministério Público, ou a defensoria pública ou um advogado que atue no Direito Educacional. Caso queira uma consulta ou precise que eu intervenha junto à escola, me escreva : claudiahakim@uol.com.br

  2. Eliana Leite

    OLa dra.
    Tenho uma filha que hoje esta com nove anos e esta no 1º do ensino médio. Desde da primeira série estou em escola particular mas devido a tal crise mudamos ela pra a Estadual. Na particular ela fez o um laudo aos 9 anos com uma psicopedagoga e assim com muito custo conseguiu concluir o 9º ano. Já estado na escola do estado alguns professores falam em laudo atualizado. É claro que vejo uma melhora em oratória nela mas em matemática, física e química esta difícil. O laudo dos nove anos ainda serve ou tenho que passa-la novamente no psico?
    Obrigada pela atenção

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