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Minha primeira viagem sem meu filho

Viagens são experiências fantásticas e têm um outro significado depois que você tem filhos. Eu adoro viajar e depois que o Lucas nasceu, fizemos algumas viagens curtas, para lugares próximos, tipo praia, hotel-fazenda, São Paulo, sempre levando ele junto. Mas ele já está com quase 3 anos e achei que não haveria problemas em fazer uma viagem um pouco mais longa e um pouco mais longe e deixá-lo com os avós. Programei uma viagem para Machu Picchu, no Peru, 5 dias, para o fim de outubro.

Machu_Picchu-650

Enquanto estivemos fora, o Lucas ficou com meus pais, na nossa própria casa, para não mudar muito a rotina dele. Fiz um roteiro com os horários habituais dele, como hora de acordar, entrada na escola, o horário de saída, horário do banho, hora de dormir, já suspeitando que talvez não fossem cumpridos a risca… Tudo bem, não dá pra opinar muito quando você está a milhares de quilômetros de distância e eu nem tinha a ilusão de que minha mãe e meu pai fariam os cuidados com o Lucas exatamente do jeito que eu faço… Mas eles têm o jeito deles de cuidar, que é muito bom também, com muita paciência, muita diversão, poucas regras, enfim… avós… Deixamos também o contato de um amigo pediatra e de outros amigos, caso precisassem de ajuda.

Bem, estava tudo certo… até eu me dar conta de que eu estava realmente APAVORADA com a idéia de ficar 5 dias a milhares de quilômetros de distância do meu filho! Pensamentos catastróficos me perseguiam nos dias anteriores à viagem. Eu até pedi para minha mãe se seria possível que eles ficassem os 5 dias trancados dentro do nosso apartamento, só comendo e assistindo Pocoyo, para minimizar os riscos de que algo acontecesse… Acho que minha insanidade era tanta que minha mãe até concordou…

Chegou o dia da viagem. Nos despedimos do Lucas na hora de dormir, pois sairíamos de casa de madrugada, o vôo era às 7 da manhã. Já havíamos explicado para ele que ficaríamos alguns dias fora e que ele ficaria com o vovô e a vovó. Na madrugada, logo antes de sair de casa, dei mais uma olhadinha nele dormindo. Tudo certo.

Fomos para o aeroporto, pegamos nosso vôo, chegamos ao Peru, sem problemas. Chegando ao hotel, ficamos em dúvida: “será que a gente liga pra saber como estão as coisas?”. Poxa, fazia menos de 12 horas que havíamos saído de casa… Ligamos.

“Alô? Oi, mãe, sou eu, Patricia. Nós acabamos de chegar…”

“Você viu a mensagem que seu pai te mandou?”

“Não… Aconteceu alguma coisa?”

“Você viu o e-mail que ele te mandou?”

“Não! O que aconteceu?”

Acho que meu coração parou de bater por alguns segundos durante esse breve diálogo…

“O Lucas acordou com conjuntivite!”

Bom, conjuntivite é infinitamente melhor do que estar internado em uma UTI ou qualquer coisa do tipo (que foi a primeira coisa que me passou pela cabeça…). Eles já haviam levado o Lucas para nosso amigo pediatra dar uma olhada, já estavam pingando o colírio de antibiótico, tudo sob controle…

Apesar da conjuntivite, obviamente, meus pais e o Lucas não ficaram trancados dentro do apartamento assistindo Pocoyo, mas como meu pior medo, de que algo acontecesse, já havia se concretizado algumas horas depois de ter saído de casa, meu nível de estresse diminuiu bastante e nós aproveitamos muito nossos dias em Machu Picchu.

Acho que me comportei muito bem nessa primeira viagem sem meu filho. Não chorei, não surtei, liguei uma vez por dia apenas, curti a viagem… Mas a saudade era tanta, que até dispensei aquela passadinha no freeshop só para chegar mais cedo em casa e abraçar, beijar e apertar a coisa mais linda do mundo…

Sobre Dra. Patricia Carrenho Ruiz

Patricia Carrenho Ruiz, médica pediatra e neonatologista. CRM 113719. Mãe do Lucas, nascido em janeiro de 2012, atualmente, se dedica a ser uma boa mãe pediatra e também uma boa pediatra mãe, refletindo sobre aspectos técnicos, mas também humanísticos dos cuidados com as crianças. Consultório em São José dos Campos. Contato (12) 3922-0331

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