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Disgrafia e Dispraxia, o que pode ser feito por essas crianças

Dispraxia é uma disfunção motora neurológica que impede o cérebro de desempenhar os movimentos corretamente. É um déficit, ou dificuldade em planificar, coordenar, executar e auto-regular movimentos voluntários especializados, relacionados com uma determinada atividade (ex: copiar figuras geométricas), e que são realizados de forma lenta, imprecisa, desintegrada e dessincronizada. Também chamada “síndrome do desastrado”. Seus sintomas são a falta de coordenação motora, falta de percepção de três dimensões e equilíbrio. A criança “dispráxica” tem uma falta de organização do movimento. É possível confundir-se, às vezes, com a debilidade motora, pelo qual é necessário um bom diagnóstico. Não há lesão neurológica.

Foto: Reprodução Understood.org

A dispraxia pode estar associada a algum tipo de transtorno do desenvolvimento ou não.

Muitas vezes as crianças apresentam dificuldades difíceis de caracterizar e que afetam o seu desenvolvimento e o seu dia-a-dia, condicionando, não só a sua aprendizagem, bem como também despontam sentimentos de ansiedade e frustração nela própria e nos pais.

As áreas que sofrem mais alterações são as do esquema corporal e a orientação temporo-espacial. Em alguns casos a linguagem não é afetada, a criança com dispraxia apresenta fracasso escolar, pois a escrita é a área mais comprometida.

Alguns tipos de dispraxia :

Dispraxia motora – Incluem dificuldades ao nível do esquema corporal e atraso na organização motora (mov. utilitários: vestir, comer, etc). Pode, igualmente, estar associada à lentidão, imprecisão e dificuldades de planificação de movimentos simples: aquilo a que vulgarmente se chama criança desajeitada ou trapalhona.

Dispraxia espacial –  Caracterizada por uma desorganização do gesto, do esquema corporal e das relações com o espaço. Podem surgir, dificuldades de seriação e classificação, bem como de utilização de conceitos (ex: alto, baixo, etc)

Dispraxia postural – Dificuldades na postura, que se refletem num movimento realizado sem ritmo, e com pouco controle.

As crianças com dispraxia podem aprender a digitar com destreza e rapidez, assim, com o uso do computador, o fracasso escolar pode ser superado, considerando que a parte cognitiva não é afetada.

Existem experiências em andamento que jogos com a tecnologia kinect possam ajudar muito, pois em alguns casos, a falta de progresso pode estar mais relacionada com a baixa auto-estima e o receio de exposição ao fracasso, assim, o treinamento com esses equipamentos tem trazido algum resultado.

As crianças com dispraxia possuem necessidades educacionais especiais, que devem ser atendidas e respeitadas.

Nossa Constituição Federal visa o pleno desenvolvimento da pessoa, seu prepara para o exercício da cidadania e igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, considerando, ainda, como dever do Estado a garantia de  acesso aos níveis mais elevados do ensino, segundo a capacidade de cada um.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, por sua vez, estipula que : “A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade”. (g.n.)

A escola deve oferecer Educação Especial para os alunos com Dispraxia com a flexibilização de currículo e apoio pedagógico adequado para atender às necessidades educacionais especiais desta criança.

O que pode ser feito por estas crianças ?

Menos atividades escritas que os demais ;

Ganhar tempo extra para as tarefas escritas obrigatórias ;

Permissão para o uso do computador, nas atividades escolares e até mesmo em provas ;

Exercícios diferenciados na Educação Física conforme as orientações da psicomotricista ;

Avaliação pela capacidade de reconhecer os diferentes mapas dizendo o tipo de mapa e o local que ilustra ou fazer uma análise oral de um mapa físico, político, hidrográfico e humano.

 

No Brasil, os atuais critérios de definição da clientela da educação especial encontram-se elencados no documento Política Nacional de Educação Especial, publicado em 1994 pela Secretaria de Educação Especial – SEESP – do Ministério da Educação e Desporto – MEC. De acordo com esse documento, tal clientela é constituída por três grandes grupos, cada qual reunindo um numeroso grupo de tipos e graus de excepcionalidade, sendo que, em um destes grupos situam-se os Portadores de Condutas Típicas :            indivíduos que apresentam alterações no comportamento social e/ou emocional, acarretando prejuízo no seu relacionamento com as demais pessoas (neste grupo, encontramos, também, os portadores de DISGRAFIA E DISPRAXIA).

Penso que, todos aqueles que interagem com crianças e jovens deverão estar alerta para esta problemática, uma vez que um despiste precoce, complementado com um acompanhamento especializado, pode ser, muitas vezes determinante, para o futuro daqueles que apresentam este tipo de déficit, e que constitui frequentemente o primeiro sinal para o surgimento mais tarde de dificuldades de aprendizagem escolares.

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Sobre Claudia Hakim

Advogada Especializada em Direito de Educação e Especialista em Neurociência e Psicologia Aplicada Autora do Blog e grupo no Facebook voltado para a Educação de Crianças Superdotadas : “Mãe de Crianças Superdotadas : www.maedecriancassuperdotadas.blogspot.com Membro Fundadora do Instituto Brasileiro de Superdotação e Alterações do Neurodesenvolvimento (IBSDND) Contato : claudiahakim@uol.com.br/ Fone : (11) 35113853

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